Qual deve ser a nossa resposta aos assassinatos em massa de Cristãos no Mundo Muçulmano?

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Hoje de manhã (19/04/2015), o Estado Muçulmano Independente (ISIS, na sigla em Inglês e EI, na sigla em Português) postou seu mais novo vídeo de execuções em que um homem com sotaque americano condena as “pessoas da cruz” antes de decapitar e fuzilar 28 Cristãos Etíopes. O número crescente de seguidores de Cristo sendo sacrificados nos leva à pergunta: “Como devemos responder?”

O artigo a seguir é um capítulo do meu livro “Até a Morte”. (Tradução Livre: Até a Morte)

O Projeto Josué[1] tem feito ampla investigação sobre o progresso do Evangelho nas nações entre aquelas inalcançadas e não-convertidas. Sua pesquisa olha pela perspectiva dos missionários no front[2]. Em Novembro de 2011, eles apresentaram as seguintes estatísticas sobre o progresso do Evangelho por grupo de pessoas e população global.

Progresso por Grupo de Pessoas

Total de Grupos de Pessoas: 16.750

Grupos de Pessoas Inalcançados: 6.921

Porcentagem de Grupos de Pessoas Inalcançados: 41,3%

Progresso por População

População Mundial: 6.83 bilhões

População de Grupos de Pessoas Inalcançados: 2.84 bilhões

Porcentagem de Grupos de Pessoas Inalcançados: 41,5%

O maior bloco religioso no mapa dos inalcançados e não-convertidos é o Islamismo. O Projeto Josué apresenta estas estatísticas preocupantes:

– A população do mundo Muçulmano é de 1.537.185.000 pessoas;

– Dentre essas mais de 1.5 bilhão de pessoas, há 2.840 grupos de pessoas não alcançadas;

– 87,4% dos 1.5 bilhão de pessoas ainda não ouviram o Evangelho;

– Ou, em outras palavras, 1.343.613.000 Muçulmanos ainda precisam ouvir o nome de Jesus.

Enquanto que cada bloco religioso constitui um desafio substancial para a Igreja global, claramente, o Islã é o maior de todos os desafios. É o maior bloco e também o mais hostil deles. Consequentemente, o número de missionários no campo é tragicamente pequeno.

Joshua é o Diretor Executivo do Ministério i2. Ele treina estudantes e missionários de todo mundo em Apologética Cristã aos Muçulmanos. No despertar dos ataques do 11 de Setembro, ele explicou o nível de atividade missionária dentro desse bloco, afirmando que:

Somente 1% de todos os missionários Cristãos vão exercer o ministério diretamente entre os Muçulmanos (1.800 missionários, no total). Isso representa 1 missionário para cada 550 mil Muçulmanos! Para cada Mórmon que você já viu na sua vida, há 130 Muçulmanos no mundo. Isso é equivalente a ter cerca de 5 igrejas e 150 pastores para toda a América do Norte. Em outras palavras, seria como ter a opção de ir à igreja no Texas (se você tiver a sorte de morar perto) ou, talvez, em Boston ou ter apenas mais 3 opções de outros lugares no território dos Estados Unidos para ir, em qualquer manhã de Domingo.[3]

Isso deveria os surpreender, especialmente considerando que o desafio de cativar o mundo Muçulmano não é novo. Escrevendo em Bahrain, em 1902, Samuel Zwemer, o missionário americano, historiador e “apóstolo ao Islã” apelou a uma nova geração de Cristãos, dizendo: “[…] o século XX deverá ser um século preeminentemente de missões aos Muçulmanos”.[4]

O século XX veio e já passou. A maioria do mundo Muçulmano permanece inalcançada e não-cativada. Enquanto o número de trabalhadores aumentou consideravelmente desde os tempos de Zwemer, também aumentou a população de Muçulmanos. Em outras palavras, não estamos mais perto de estabelecer um Evangelho fiel, testemunhando entre aqueles que juram aliança a Maomé, do que estávamos cem anos atrás. As fronteiras perceptíveis do campo missionário tem se expandido e a Igreja no Ocidente não tem expandido seus esforços proporcionalmente para a colheita. Por isso, essa é uma colheita que permanece pronta, mas enormemente desassistida.

 

A FRONTEIRA FINAL DAS MISSÕES GLOBAIS: ISLÃ

O desafio de servir o mundo Muçulmano requer uma resposta bem pensada e sóbria. Essa será a fronteira final do mundo missionário e o maior desafio da Igreja. De forma alguma será o único desafio, mas será o maior de todos e o mais custoso.

A Igreja está atrasada há muito tempo em corresponder ao chamado de abraçar a responsabilidade de cativar o mundo Muçulmano. Os perigos que acompanharão essa tarefa são reais. Porém também são reais os mandamentos das Escrituras de pregar o Evangelho a todos os povos e as promessas de colheita em todas as tribos e línguas. No momento em que exaltamos mais os perigos que os mandamentos e as promessas que os acompanham, começamos a nos desviar. Por isso, enquanto seria tolice ignorar os perigos, devemos ser cuidadosos em olhar para eles à luz de tudo aquilo de Jesus nos mandou fazer e nos prometeu.

A maneira como nós, embaixadores de Cristo, entraremos nas regiões hostis do globo hoje em dia é abrindo mão de nossos direitos e expectativas de sair do meio deles com vida. Isso não quer dizer que devemos ir em busca do martírio, mas que devemos renunciar à prerrogativa de que devemos evitar o martírio a todo custo. Os perigos associados à tarefa de evangelizar o mundo Muçulmano são reais. Devemos entendê-los e, pela graça de Deus, encará-los. O preço de trabalhar para erguer Cristo acima de Maomé e para que haja crescimento debaixo da cruz, certamente será o aprisionamento e o martírio de muitos. Todavia, para que o século XXI seja diferente do último século, devemos estar dispostos a pagar tal preço.

A pergunta que a Igreja deve responder, então, é se “Tal esforço vale ou a pena ou não?”. A julgar pelo fato de que essas nações recebem tão poucos missionários, isso nos diz que a maior parte da Igreja responderia “Não” à pergunta feita acima. Mas Paulo diria que vale a pena; independente do que seja o conceito de “sucesso” nessa empreitada. Sucesso não era o alvo de Paulo. Testemunho era; e testemunho, ocasionalmente, requer sangue. Considere a resposta de Paulo àqueles que tentaram dissuadi-lo de ir a Jerusalém por causa do perigo inerente.

E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.
Atos 20:22-24

Em Atos 21, Paulo respondeu a mais desses cuidados recebidos no capítulo 20. Porém, dessa vez, ele falou não de “prisões” e “tribulações”, mas de “morte”. Lucas registrou a conversa, dizendo:

E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo;
E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: “Isto diz o Espírito Santo: ‘Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.’” E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. Mas Paulo respondeu: “Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.”
Atos 21:10-13

 

A preservação da vida não era a maior ambição de Paulo. A declaração de Cristo por meio da demonstração do Espírito e do poder, sim (I Co. 1-3). Paulo compreendeu o que isso exigiria dele. Portanto, “[Paulo disse:] Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Col. 1.24). Ele compreendeu esse mandato desde o dia de sua conversão, quando foi dito a ele: “E eu lhe mostrarei quanto [Paulo] deve padecer pelo meu nome [de Jesus]” (At. 9.16). Assim, Paulo é o modelo de um missionário de campo: ele não considerou sua vida como tendo valor maior que o valor do Evangelho.

Mais de dois mil anos depois, nosso impacto no mundo Muçulmano limita-se a condição de abraçarmos ou não a mentalidade Paulina de valorizar o Evangelho acima da vida. Enquanto permanecermos indispostos a sangrar por amor à fama de Jesus no mundo Muçulmano, podemos ter a certeza de que haverá muito pouco impacto. Felizmente, a falha da Igreja em servir essas pessoas preciosas está sendo, de alguma maneira, compensada pelo número de Muçulmanos que têm sido levados a crer, ano após ano, por meio de sonhos e visões. Embora devamos celebrar esse fato, ele não deve ser usado para justificar a negação de nosso chamado a esse campo missionário crítico. George Otis Jr. explica a importância do testemunho de mártires nas nações muçulmanas:

Será que a Igreja deveria, em meio a circunstâncias políticas e sociais, manter-se encoberta para evitar as possíveis forças hostis ao Cristianismo? Ou será que um confronto mais aberto com a ignorância e a privação espiritual mais provavelmente levaria a avanços evangelísticos? Os fundamentalistas Muçulmanos alegam que sua revolução espiritual é abastecida pelo sangue dos mártires. Será que a falha do Cristianismo em prosperar no mundo Muçulmano está ligada à notável ausência de mártires Cristãos? E será que a comunidade Muçulmana pode levar a sério as reivindicações de uma Igreja que se esconde?… A pergunta não é se “É sábio manter a adoração e o testemunho discretos?”, mas, se “por quanto tempo isso irá continuar antes que sejamos acusados de esconder ‘a candeia […] debaixo do alqueire’?”… Registros mostram que em locais desde Jerusalém até Damasco, de Éfeso a Roma, os apóstolos foram espancados, apedrejados, sofreram conspirações e foram aprisionados por seu testemunho. Convites eram raros, e nunca foram a base de suas missões.[5]

Devemos abraçar o chamado ao mundo Muçulmano com a convicção de que o preparo para sofrer martírio não é uma mera possibilidade, mas um requisito. Aqueles que estão presos ao Islã precisam de um testemunho de martírio para que seja descortinado a eles o valor inestimável de Jesus. Ao não sofrermos em declarar o Evangelho a eles, nosso silêncio grita que nosso Evangelho não é algo pelo qual valha a pena morrer. Um Evangelho pelo qual Cristãos não considerem valer a pena morrer é um Evangelho pelo qual um Muçulmano não considerará digno de viver. Já que o custo de rejeitar Alá por amor a Cristo é alto no mundo Muçulmano (rejeição, perseguição, estranhamento ou morte), eles precisam que tal preço valha a pena. Eles precisam saber que Ele vale a pena. Isso propõe um desafio significativo ao movimento de missões para o mundo Ocidental. Devemos decidir como responderemos ao fato de que há 1.3 bilhões de Muçulmanos inalcançados no mundo Muçulmano que, por nunca terem sido servidos por uma Igreja crucificada, perecerão sem ouvir sobre o nosso Cristo crucificado e ressurreto.

O martírio de Cristãos é motivado pelo desejo forjado pelo Espírito no coração de Cristãos de passar a eternidade com seu inimigo, a quem eles amam o bastante a ponto de servir por meio do sofrimento – até a morte, se necessário. Até que a Igreja demonstre esse tipo de desejo às nações (em particular, às nações Muçulmanas), seu testemunho não terá serventia para ouvidos surdos; se é que seu testemunho chegará até eles.

Tradução: Christie Vieira Zon
Supervisão: Victor Vieira

[1] Visite <joshuaproject.net> para mais informações.

[2] Estatísticas tais como essas variam de acordo com quem compila as informações e como essa pessoa o faz. O Projeto Josué é uma das fontes de informação mais confiáveis, em virtude de sua extensa pesquisa,

[3] Lingel, Joshua. Considering Again Your Vocation, Ministério i2 (website), acessado em Novembro de 2011 <http://www.i2ministries.org/index.php?option=com_content&view=article&id=13:consider-again-your-vocation&catid=27:articles-category&Itemid=72&gt;

[4] M. Zwemer, Samuel; Lull, Raymund. First Missionary to the Moslems. Editora Diggory Press, 2008. Edição para Kindle. Prefácio.

[5] OTIS JR., George. The Last of the Giants: Lifting the Veil on Islam and the End Times. Grand Rapids, MI. Editora Chosen, 1991. Páginas 261 – 263.

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