Maria de Betânia e o verdadeiro espirito do martírio – Dalton Thomas

O seguinte artigo foi adaptado de um capítulo do livro Unto Death: Martyrdom, Missions, and the Maturity of the Church.

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UM BELO DESPERDÍCIO

Antes de realizar a sua descida à Jerusalém para a Páscoa, na época em que Ele seria morto, Jesus parou em Betânia – um dos poucos lugares em Israel onde o nosso Senhor poderia descansar e ser ele mesmo entre os seus amigos.

Uma noite durante o jantar, exatamente uma semana antes da crucificação1, uma jovem mulher chamada Maria se aproximou de Jesus enquanto ele estava se reclinando. Nas mãos dela estava um vaso cheio de um óleo caro. Embora o frasco fosse pequeno, ele continha óleo (ou perfume) que era equivalente ao valor do salário de um ano inteiro2. Compelida por um senso transbordante de necessidade, ela destampou o seu pequeno frasco e o derramou sobre os pés e a cabeça de Jesus antes de “enxugá-los com o seu próprio cabelo.” Ao fazer isso, “o local ficou cheio com a fragrância do perfume.”3

Aqui, em um santo momento, essa jovem liquidou o que atualmente seria equivalente a 40,000 dólares. Tal expressão de devoção ostensiva era fruto de sua convicção de que o valor de seu óleo caro era eclipsado pelo valor do Deus-Homem diante de quem ela estava.

Assim que o óleo foi derramado, a atmosfera na sala mudou e a tensão começou a surgir. Alguns indivíduos se apressaram para tentar impedir aquilo que eles achavam ser um episódio estranho e constrangedor. Judas, que mais tarde vendeu Jesus às autoridades por 30 shekels, foi o primeiro a erguer a sua voz em protesto. Buscando humilhar a jovem, ele informou aos que estavam na sala que o óleo dela era o equivalente a um ano de trabalho e que poderia ter sido gasto de uma forma muito melhor ou em empreendimentos ministeriais. Movido pela aparente compaixão dele pelo pobre, os outros discípulos começaram a encará-la com os meus olhos de desprezo (é preocupante que os futuros líderes da Igreja tenham sido tão facilmente seduzidos por um enganador como esse). À medida que a fragrância do óleo encheu a sala, os ânimos começaram a esquentar. Mateus relata da seguinte forma:

E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício? Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres. (Mateus 26:8-9)

Aqueles que estavam na sala viram a demonstração de devoção dela como excessiva, desnecessária e tola. Eles ficaram furiosos apenas ao imaginar isso.

Imagine a cena. A família dela de longe, horrorizados com o que ela acabara de fazer; Judas apontando-lhe o dedo com aberto desdém, e o resto dos discípulos murmurando as suas objeções de autojustiça ao aguardarem a resposta de Cristo. Ao enfrentar tudo isso, Maria sentou-se tremendo. Com lágrimas de amor ainda escorrendo de sua face, e o óleo da devoção de seus cabelos, o coração dela bate com o temor da incerteza, pois como ela poderia saber qual seria a forma que Jesus responderia? Ele olharia para a

oferta dela com o mesmo desprezo do restante dos que estavam na sala? Ou ele se sentiria honrado com aquilo?

O coração dela logo se aquietou quando Jesus publica e ternamente afirmou o seu sacrifício, dizendo: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre. Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento. Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua. (Mateus 26:10-13)

Maria de Betânia estava transbordando de amorosa devoção e isso resultou na liquidação espontânea da sua estabilidade financeira pelos próximos anos. O que quer que os 300 denários significavam para ela, Jesus significava mais. Qualquer que fosse a posição que ela desfrutava por causa daquilo, ela desfrutava mais da posição que Jesus lhe assegurara. O que quer que aquela herança fosse para ela, Jesus era mais.

Jesus foi profundamente movido por aquilo que ela havia feito. Então, para silenciar aqueles que a criticavam e confortar o coração dela, Jesus falou. Ele afirmou que o que ela havia feito era “belo”. Aquilo havia sido sábio, havia sido virtuoso, e era puro. Ele declarou que o que ela havia feito era o fruto da revelação que ela tinha da iminente morte dEle. A extravagância dela era uma resposta à extravagância dEle. Sabendo que Ele em breve derramaria o Seu sangue de suas veias santas, Maria sentiu que nada era mais adequado naquele momento do que derramar aquele óleo caro de seu frasco. Finalmente, Ele falou que o que ela havia feito era para ser um memorial perpétuo a ser proclamado em todas as nações aonde o Evangelho é levado. Jesus queria que os seus discípulos lembrassem daquele momento para sempre. Além do mais, Ele queria que as nações se lembrassem daquilo para sempre.

Amigos, eu pergunto a vocês: a herança de vocês em Cristo é maior do que tudo o que vocês têm na terra? Oh, pela graça de amá-Lo com tamanho abandono! Você derramará aos pés dEle o que você tem de mais precioso? Você dará a si mesmo por completo a Ele e não se importar quando o mundo lhe escarnecer: “Vejam como ele está jogando fora a sua vida”, ou “Que desperdício de tempo e energia.” Que persistamos em meio à vergonha terrena e deixemos tudo por uma maior herança celestial.

MARTÍRIO COMO A FRAGRÂNCIA DE UMA DEVOÇÃO EXTREMA

Embora ela nunca tenha dado um testemunho de mártir em sua morte (pelo menos é o que sabemos), Maria de Betânia exemplifica o espírito de martírio de forma mais clara do que qualquer um no Novo Testamento (é por isso que Jesus mandou que os seus discípulos contassem a história dela a todos os povos e nações aonde eles fossem enviados). A fragrância da devoção dela profetizou o sacrifício daqueles futuros mártires presentes na sala naquela noite. Por meio daqueles jovens rapazes, “o aroma de Cristo” seria difundido entre as nações nas quais mais tarde eles sangrariam.

Os discípulos nunca se esqueceriam do aroma daquele perfume. A memória de sua fragrância e a devoção que ela representava permaneceu com eles até o dia em que eles derramaram as suas próprias veias na mesma paixão santa que tomou conta dessa preciosa mulher de Betânia.

Maria derramou o seu óleo. Os discípulos derramaram o seu sangue. Aos olhos do Senhor, ambas as ofertas eram belas, não simplesmente porque elas eram custosas, mas porque elas eram motivadas pelo amor. Esse é o verdadeiro espírito de martírio.
Tradução: Igor Sabino
Texto Original: Dalton Thomas

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