O Homem Incandescente 4: Forjado no Deserto

10 de março de 2015

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Depois de falar sobre a questão dos discípulos de João e a autenticidade de Seu ministério como o Messias, Jesus se virou para as multidões e falou sobre a autenticidade do ministério de João como profeta. Ele começa Sua mensagem com uma pergunta: “Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: ‘O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?’” (Mateus 11.7).

 

o fato de João ter ministrado no deserto não pode ser desprezado. Nem suas implicações devem escapar de nossa consideração da vida e do ministério de João e daqueles que são chamados ao ministério do precursor em nossa geração. O deserto era o contexto e a realidade de João. É um contexto e uma realidade para os quais também somos chamados.

ONDE OS PROFETAS SÃO FORJADOS E AS NAÇÕES SÃO CONFRONTADAS

O ermo foi a fornalha em que João foi forjado. E era o contexto em que Deus preparou Israel para a geração transicional que estava por vir.

Como Abraão, Moisés, Josué, Davi e Elias que foram todos criados como líderes no ermo, O Senhor chamou João para “se esconder” (I Reis 17.3) no deserto, como um amigo íntimo, com a intenção de que um dia ele fosse chamado para “apresentar-se” (I Reis 18.1) às nações como um profeta incandescente.

A mensagem do ermo é um elemento integrante do ministério do precursor. Era indispensável na preparação de João. E será indispensável para preparar muitos, assim como João, no final dos tempos.

Antes de considerarmos a significância do deserto na formação de João, é importante enfatizar o fato de que o ermo tem mais a ver com convicções e estilo de vida, do que com localização ou com uma vocação. Não há nada sobre o deserto que seja inerente ou intrinsecamente significante ou transformador. O deserto não passa de pó e ar. O que faz do deserto uma parte crucial na história de João (e de muitos outros antes dele) é a visão e os valores que o levaram até lá. Moisés e Josué certamente podem nos lembrar que nem toda experiência no ermo nos transforma, agrada ao Senhor ou intimida o Maligno. Todavia, todos os profetas (inclusive Moisés e Josué) podem nos fazer lembrar que nenhum dos vasos do Senhor evitou viver essa experiência.

O conceito de ermo é entrelaçado com a vida e o ministério de João em todo o registro Bíblico. Está no cerne da história. Em Lucas 1.80, encontramos uma afirmação curta, porém poderosa sobre a natureza da preparação de João com respeito ao deserto. “Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel.” Lucas 1.80

Esse versículo nos fala sobre como ele cresceu, onde ele cresceu, e no que ele se tornou. Ali, na vastidão do deserto árido do Oriente Médio, um jovem homem “crescia, e se robustecia em espírito”. Ele cresceu na revelação de Deus. Ele examinou profundamente a Palavra de Deus. Aquela Palavra prevaleceu sobre ele. Ele abraçou a graça do jejum e da oração. O poder foi aperfeiçoado em sua fraqueza. Ao passo que ele crescia em estatura física, deixou de ser um menino para se tornar um homem que cresceu em autoridade espiritual como um líder, um pregador e um profeta. Seu espírito tornou-se forte. Suas convicções foram seladas. Sua mensagem foi amadurecida. E seu mandato tornou-se mais claro a cada ano que passava. Quando lemos o Evangelho, lemos relatos sobre o nascimento de João e aí não ouvimos mais falar nele até que ele emerge décadas depois, como um adulto, no auge de sua vida.

Um ponto que merece ser enfatizado é o fato de que João permaneceu um ermitão por todos os seus dias. Desde sua juventude “até o dia em que apareceu publicamente”, João ficou sozinho “no ermo”. Até mesmo quando seu ministério teve início, a nação “saiu para” vê-lo. A única razão pela qual ele deixou o deserto foi por que foi encarcerado e executado. Ele estava, por um lado, exilado de sua auto-imposição de exílio quando foi arrastado para dentro da cidade para sofrer seu derradeiro destino.

O entendimento que João tinha de quem ele era e de quê ele foi chamado para fazer estava firmado numa profecia que está em Isaías 40. Quando a liderança religiosa daquele tempo perguntou quem ele era e o que ele fazia, João apontou para eles esse capítulo chave e falou como se visse a si mesmo no texto. Por exemplo, em João capitulo 1 lemos:

E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: ‘Quem és tu?’ Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: ‘Eu não sou o Cristo.’ Ao que lhe perguntaram: ‘Pois que? És tu Elias?’ Respondeu ele: ‘Não sou.’ ‘És tu o profeta?’ E respondeu: ‘Não.’ Disseram-lhe, pois: ‘Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?’ Respondeu ele: ‘Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.’” João 1.19-23

A “voz” emergiu “no deserto”. Não em Jerusalém. Não nas escolas rabínicas. Não nas sinagogas. O som de trovão do profeta ecoava no ermo. O deserto era o lar do precursor. Era o ventre através do qual o líder podia nascer. É o caldeirão em que ele foi forjado. Foi o canteiro em que o mensageiro profético teve suas raízes deixou crescer suas raízes. E é nesse contexto em que Deus determina o confronto a povos e nações.

A MODERNIDADE E O CHAMADO PARA O ERMO

Enquanto o lugar ermo em que João amadureceu fosse um deserto literal (assim como foi com Moisés e Davi), muitos precursores em toda a história foram preparados no lugar ermos, de maneira figurada, nas cortes de tiranos Gentios (Daniel), na presença de dignitários Judeus (Isaías), no meio da sociedade (Jeremias), na Casa do Senhor (Samuel), na Tenda da Congregação (Josué), no Tabernáculo de Davi (filhos de Corá) e nas comunidades proféticas (Eliseu).

Relativamente falando, esses homens experimentaram o mesmo tipo de ministério que João, e viveram o mesmo estilo de vida de João. Mas o contexto em que eles foram preparados como mensageiros foi muito diferente do de João. A “estufa” proverbial em que “cresceram e se robusteciam em espírito” variava de homem para homem, de geração para geração. Da mesma forma acontece nos nossos dias.

Em nossa geração o Senhor está, mais uma vez, separando precursores para viverem no estilo de vida do lugar ermo. Como Jesus em Lucas 4, eles sentem que são “guiado pelo Espírito para o deserto”. Eles se sentem deslocados em muitos lugares, se não for exagero dizer que isso acontece na maioria dos lugares. Não porque eles são anti-sociais (embora alguns possam ser), mas porque eles acham impossível reconciliar o que vêem a sua volta com o peso do Senhor em relação ao futuro. Eles se afligem pela revelação da crise iminente. Eles sentem a dor de estarem conscientes da fraqueza de suas palavras, usadas para trazer à tona a responsabilidade para que os outros percebam a urgência que tem essa hora. O estilo de vida do lugar ermo (jejum, oração, estudo, comunidades, meditação, contemplação, pureza, humildade, ousadia, autenticidade) é o único lugar em que esses indivíduos se sentem em casa.

Embora uma pequena minoria seja chamada para levar o testemunho do retorno de Jesus e também seja chamada para um retiro completo e deliberado da sociedade num local deserto pelo bem da sua preparação, a maioria terá de se preparar e ministrar em comunidades urbanas em meio à população das cidades, nas nações da terra. A afirmação “João estava no deserto” ressoará em seus corações assim com ressoa em mim, não por que nos sentimos chamados para o deserto literal em que João viveu, mas porque nos sentimos chamados ao estilo de vida a que João foi convidado por causa das convicções orientadoras, das visões e dos valores; uma vida de consagração e preparação deliberada à luz do que discernimos no horizonte.

TRÊS MANEIRAS PELAS QUAIS O LUGAR ERMO FOMENTAR OS PRECURSORES

O contexto do lugar ermo está para o profeta e o ministério profético assim como o odre está para o vinho; assim como a fornalha está para o metal; como uma estufa está para plantas. Ele facilita e promove a maturidade. Ele acelera o desenvolvimento. Ele dá condições para o processo de formação.

Há três maneiras que o lugar ermo servir àqueles que são chamados para o ministério do precursor.

 

Primeiro, o lugar ermo forja o homem. É lá, na simplicidade da proximidade com o Senhor que o mensageiro efetivamente nasce, recebe nutrido e comissionado. Desde a infância, Samuel foi dedicado à Casa do Senhor. Davi “fixou seu coração” em Deus nas cavernas de Adulão e no palácio, em Jerusalém. Josué “jamais se apartou da Tenda da Congregação”. Daniel orou três vezes ao dia nas mansões da Babilônia. Elias morou perto do rio até que foi chamado para “mostrar-se”. Paulo, o apóstolo, buscou a face de Deus por mais de uma década, na Arábia. Todos esses homens, assim como João Batista, consagraram a si mesmos à santidade de coração, à limpeza de mãos, à pureza na fala, à simplicidade de devoção a Deus e à ousadia na proclamação da Sua Palavra para sua geração. Até mesmo o próprio Jesus abraçou a sabedoria do lugar ermo. Após ser batizado por João, em Lucas 3, Ele orou e jejuou pro quarenta dias e foi tentado pelo Diabo. Então, na plenitude do tempo, Jesus “retornou” para a Galileia para começar Seu ministério “no poder do Espírito” (Lucas 4.14). A consagração do profeta no lugar ermo trouxe o confronto até as pessoas que estavam na cidade.

Segundo, o lugar ermo forja o ministério. O mandato do deserto que João abraçou tinha tudo a ver com o clima espiritual árido e falido de Jerusalém. Não era favorável para o ministério do Espírito (como lemos, por exemplo, em Mateus 11.20-24). E eles não eram receptivos à Palavra do Senhor. Para que a nação pudesse ser preparada para a transição que viria até eles, Deus buscou apresentar uma alternativa ao que as pessoas conheciam naquela cultura anêmica de sinagoga daquele tempo. A alternativa era João. Mas isso exigiu de João que ele se preparasse fora do sistema ao qual ele deveria influenciar. Se João tivesse crescido em Jerusalém e fosse engajado com a cultura de ministério daquele tempo, ele não teria a capacidade de desafiar a cidade como fez no Jordão. Um pregador é impotente quando desafia uma cultura à qual ele próprio está secretamente comprometido e pela qual é influenciado. A cultura de sinagoga em Israel naqueles dias de João Batista não poderia conter João. E não poderia servir o mover de Deus que foi liberado quando Jesus saiu do lugar ermo “cheio do poder do Espírito”. O lugar ermo fomentou uma expressão alternativa de ministério que deu luz ao precursor e preparou uma nação para a primeira vinda.

Terceiro, o lugar ermo forjou a mensagem. Os precursores são muito específicos em sua mensagem e em seu respectivo mandato ministerial. Eles honram a diversidade do Corpo. E respeitam profundamente as várias mensagens, métodos e ministérios que emergem entre o povo de Deus. Porém, eles mesmos não abraçam essas mensagens, métodos e mandatos. Não porque eles não sejam válidos, verdadeiros ou frutíferos, mas porque eles não cabem aos precursores. O silêncio relativo do estilo de vida do lugar ermo preserva o mensageiro de abrir a si mesmo para influências de muitas vozes (legítimas e ilegítimas) que não compreendem, concordam ou endossam o ministério da preparação profética. Seria divino, benéfico e frutífero para João seguir nos passos de seu pai e tornar-se um sacerdote, servir no Templo e ministrar em uma sinagoga. E sua presença em Jerusalém teria trazido o fruto redentivo para as vidas de muitos. Mas com seu retiro da cultura espiritual do seu tempo, João foi protegido da escola de pensamento da época. Ao retirar-se da amplitude e do equilíbrio da espiritualidade do tempo, ele foi capaz de aprofundar em temas e realidades que literalmente fizeram dele o que ele era, e forjaram as palavras que ele disse. Precursores não são equilibrados. Não é o que eles são chamados para serem. Quando Deus deseja interromper a trajetória de um povo ou uma nação ao prender sua atenção, Ele não levanta um homem equilibrado que sabe qualificar suas convicções. Ele levanta um tição no lugar ermo com uma mensagem que é simples, repetitiva e específica. Somente uma mensagem desequilibrada pode trazer uma reforma ampla. E som ente um mensageiro desequilibrado pode fomentar uma revolução generalizada. Essa não é uma licença para que verdades sejam inapropriadamente enfatizadas e que outras verdades sejam negligenciadas. É simplesmente a afirmação de que a amplitude e o equilíbrio jamais nunca foram nem nunca serão a descrição de um profeta ou de sua mensagem.

ABRAÇANDO O CHAMADO PARA IR AO LUGAR ERMO NOS ÚLTIMOS DIAS

Da mesma forma que João abraçou o chamado que recebeu de ir para o deserto quando jovem antes da primeira vinda de Cristo, assim também muitos outros abraçarão o mesmo chamado antes do retorno de Jesus. Isso trará uma maior expressão do ministério do precursor na história humana, sobrepondo até mesmo como ministério de João. Nos dias que virão a mensagem, o mandato e o estilo de vida de João serão manifestados entre o povo de Deus nas nações, enquanto nos aproximamos do Dia de Cristo. Portanto, veremos muitos atraídos pela beleza do deserto, como João. Sem esse contexto, a mensagem não amadurecerá, o mandato não será executado e o estilo de vida será abandonado. Esse tipo de contexto é o fruto de um estilo de vida de convicções particulares; convicção será o tema dos próximos artigos.

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

Amigos Melhores do que Montanhas – Um Filme sobre os Curdos e o Evangelho do Reino

25 de fevereiro de 2015

“Os Curdos não tem amigos, só as montanhas.”
Provérbio Curdo

O Homem Incandescente 3: A Vingança do Profeta e o Julgamento de uma Nação

23 de fevereiro de 2015

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Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João…” Mateus 11.7

Mateus 11 registra os dias finais da vida de João Batista. Depois de ele ter sido preso por Herodes, Jesus enxergou a necessidade de “falar à multidão a respeito” de seu primo encarcerado. Pouco depois de Jesus ter pregado sua mensagem, João foi barbaramente executado.

Quando a integridade e veracidade do testemunho de João foi posto em questão com a evaporação de seu ministério e sua associação com Jesus (a quem ele declarava ser “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”), seu Primo controverso veio em sua defesa para esclarecer seu testemunho público diante da morte de João. Quando o famoso profeta estava “diminuindo” (João 3.30) de sua importância, influência e fama, enquanto estava sendo preparada sua execução e ao passo que a controvérsia e a especulação sobre a “candeia que queimava e irradiava luz” (João 5.35) se espalhavam pela Terra, Jesus ergueu Sua voz. Em Mateus 11 está registrado o que foi dito por Jesus.

Esse capítulo é o mais importante dos Evangelhos em relação à vida do Batista. E também é o capítulo mais importante da Bíblia sobre o ministério do precursor.

A DUPLA MENSAGEM DE MATEUS 11

O sermão de Jesus tem duas ênfases primárias: a sabedoria de João e a tolice da nação de Israel; a grandeza do mensageiro e a indiferença daqueles que o ouviam.

Em Mateus 11, vemos Jesus vingando João e confrontando a nação. Ele afirma a verdade e o poder da pregação de João e desafia a resistência e descrença de Israel. É uma mensagem pesada direcionada para uma geração no meio de uma grande transição, em uma conjuntura crucial. Ela gira em torno da necessidade da direção profética e as consequências de não atentar para ela, quando é dada.

Estudamos Mateus 11 para perceber o que em João agradava a Jesus e o que Jesus lamentava naqueles que davam ouvidos a ele. Analisamos esses versos para aprender o que o Senhor celebrava em João e porque o Senhor repreendia a nação naquela hora urgente.

Mateus 11 também está impregnado com implicações escatológicas. Com o precedente histórico de que João era uma expressão do ministério do precursor para preparar o povo para Deus e para a primeira vinda de Jesus, podemos dizer com confiança que seu mandato, sua mensagem e seu estilo de vida são convites para aqueles que vivem na(s) geração/gerações que precedem a segunda vinda de Jesus. Os grandes questionamentos sobre a fé que surgiram nos dias de João surgirão novamente para confrontar a(s) geração/gerações antes do retorno do Senhor. Mateus 11 não somente nos ensina sobre o passado, como também nos ensina sobre o presente e o futuro.

CULTIVANDO UMA VISÃO PARA IMITAR O MAIOR HOMEM QUE JÁ NASCEU

Por todo esse capítulo viciante, Jesus exalta a vida e o ministério de João como um exemplo de consagração e dedicação a Deus com gerações transicionais. Ele chamou João de homem corajoso (versículo 7), um homem intransigente (versículo 8), um homem profético (versículos 9,10) e um homem violentamente dedicado (versículo 11). Jesus vai tão longe, que o chama de “o maior homem que já nasceu de mulher” (versículo 12) antes de repreender o povo e as cidades específicas que ouviram a pregação de João, mas falharam em responder a ela (versículos 16-24). É essencial que obtenhamos uma visão de imitação de João, ao passo que vamos respondendo à mesma forma de graça que foi dada a ele.

TRÊS APLICAÇÕES DE MATEUS 11

Enquanto exploramos esse capítulo maravilhoso, verso a verso, eu quero enfatizar três aplicações primárias do capítulo.

Primeira: Ele nos fala sobre o tipo de devoção que move o coração de Deus e prende a atenção de uma nação. João era um retrato de dedicação, consagração e santidade que honram a Deus. Jesus o exaltou, usando-o como medida autêntica da intensidade espiritual quando dois opostos extremos de legalidade e preguiça espiritual é que estavam disponíveis na época. João viveu uma vida de “violência” espiritual (Mateus 11.12). Esse estilo de vida agressivo desafia os preguiçosos e os irresponsáveis enquanto que, ao mesmo tempo, confunde os legalistas e os religiosos. Em nossos dias, quando percebemos como a espiritualidade superficial e a religião morta prevalecem, a teologia da “violência” espiritual se faz essencial.

Segunda: ele nos fala do valor e da importância do ministério do precursor. Mateus 11 é essencialmente um sermão sobre a natureza crítica do testemunho de João a Israel antes da vinda de Jesus. Jesus afirma João com um precursor e exalta a significância do ministério para o qual foi chamado. Quando abordamos o retorno de Jesus, a dimensão do precursor de Mateus 11 irá servir imensamente ao Corpo de Cristo.

E terceira: ele nos fala como devemos corresponder, em gerações transicionais, quando o Senhor estabelece o ministério do precursor. Em Mateus 11, ouvimos Jesus repreendendo as multidões que ouviram João pregar e persistiram na descrença ate mesmo diante dos milagres de Jesus, e somos confrontados com essa questão da responsabilidade em momentos de transição histórica. Esse sermão descreve o estilo de vida que Jesus considera digno do chamado para o qual fomos chamados e a preparação para a hora urgente em que vivemos. Ao passo que essa foi uma defesa pública da integridade de João, também foi uma repreensão pública à indiferença da nação. Enquanto nos aproximamos do retorno do Senhor, essa mensagem de responsabilidade e reação irão edificar muito a Igreja.

O CONTEXTO DO SERMÃO DE JESUS EM MATEUS 11

O contexto do sermão de Jesus em Mateus 11 é descrito nos versos 2 a 6.

“João, ao ouvir na prisão o que Cristo estava fazendo, enviou seus discípulos para lhe perguntarem: ‘És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?’ Jesus respondeu: ‘Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa.’”

Mesmo sendo frequentemente apresentado como o capítulo onde João Batista duvida e descrê por um período sob pressão, há inúmeras razoes pelas quais eu não creio que esse seja o caso. João sabia que Seu ministério estava completo (João 3.25-30). Ele compreendeu que Jesus morreria em breve, como “Cordeiro” sacrificial (João 1.29). Ele sabia que o tempo havia chegado, em que sua influência “diminuiria” para que a influência do Senhor “crescesse” (João 3.30).

O fato de João ter enviado seus discípulos a Jesus para perguntarem se Ele era o Messias foi mais uma afirmação de descrença dos discípulos do que João. João sabia que ele iria morrer em breve, então enviou seus discípulos a Jesus para que eles soubessem que Ele era o Messias.

Em seu comentário sobre o Evangelho de Mateus, J. C. Ryle (falecido em 1900) escreveu:

“Essa pergunta não surgiu da dúvida ou descrença da parte de João. Fazemos injustiça a esse santo homem se interpretamos dessa forma. Ela foi feita para o benefício de seus discípulos. Intencionava dar a eles uma oportunidade de ouvir lábios do próprio Jesus a evidência de Sua divina missão. Sem dúvida, João Batista sentiu que seu próprio ministério estava terminado. Algo dentro dele disse que ele jamais sairia da prisão de Herodes, mas que ele certamente morreria. Ele se lembrou dos ciúmes ignorantes que seus discípulos demonstraram em relação aos discípulos de Cristo. Ele fez o que deveria ter feito para dissipar esses ciúmes para sempre: enviou seus discípulos para ‘ouvir e ver’ por eles mesmos.

“Havia alguns, sem dúvida, que eram dispostos a pensar levianamente sobre João Batista, em parte o fazer por sua ignorância natural quanto ao ministério dele, em parte o fazem por entender mal a pergunta que ele pediu que fosse feita. Nosso Senhor Jesus Cristo cala tais maledicentes pela declaração que faz aqui. Ele diz a eles que não suponham que João fosse um homem temeroso, vacilante, instável como um ‘caniço agitado pelo vento’. Se pensavam assim, estavam muito enganados. Ele era um testemunho inflexível e destemido da verdade. Ele diz que não suponham que João fosse um homem desse mundo, em seu coração: fascinado pelas cortes dos reis e da vida de prazeres. Se pensassem assim, estavam enormemente equivocados. Ele era um pregador altruísta do arrependimento, que arriscaria provocar a ira de um rei ao invés de aprovar seus pecados” (de seu Comentário sobre o Evangelho de Mateus).

Depois que Jesus se auto-declarou o Messias, ele terminou com o que parecia (a princípio) ser uma exortação estranha e inapropriada para o local, dizendo “feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa.” Imagino que os discípulos de João tenham olhando para Ele, confusos, quando Jesus falou de sinais e maravilhas e ofensa na mesma frase. Somente após a decapitação de João e da crucificação de Jesus que essa afirmativa faria sentido para eles. Jesus sabia que Seu Pai não iria livrar João de ser morto. E Jesus sabia que Ele próprio nasceu para morrer. Os discípulos de João não sabiam dessas coisas. E, diante de milagres e maravilhas, o pensamento da morte trágica de seus líderes seria ofensivo. Portanto, Jesus estava implorando a eles que resistissem à ofensa quando as coisas não saíssem conforme o esperado.

A principal razão pela qual eu não creio que Mateus 11.2-6 fale sobre a hesitação de João sobre a questão do Senhorio de Jesus é porque imediatamente depois de se dirigir aos discípulos de João, falando sobre Ele próprio, Jesus se dirige às multidões falando sobre João. Uma abordagem em que Jesus declara que João era um homem imutável, inabalável com convicções audaciosas. Se João tropeçava em descrença, ou Jesus estava ignorante da situação ou não estava sendo honesto sobre o que sabia. Uma vingança da fé de João quando a fé de João estava “firmada na rocha” teria sido dissimulada e desonesta.

Algumas pessoas sugerem que João estava debatendo-se em dúvida porque a compreensão teológica de João da vinda do Messias estava associada com os eventos apocalípticos, o que o teria desapontado, já que Jesus parecia negligenciá-los. Dizem que João estava esperando por um Rei e foi deixado numa crise de fé quando Jesus se revelou como um servo. Embora eu não descarte a ideia de que João lutou para reconciliar as dimensões escatológicas do ministério do Messias com o ministério de Jesus em seus dias, o fato que João efetivamente iniciou o ministério de Jesus ao declarar publicamente que Ele era o “Cordeiro que tira o pecado do mundo”, eu creio que é seguro afirmar que João não estava ignorante do sofrimento que Jesus em breve anunciaria.

Creio que João morreu com um coração ardente e fervoroso de amor pelo Senhor. Enviar seus discípulos a Jesus foi sua missão final como precursor, dissolvendo seu ministério e levando seus amigos a Jesus.

UM RESUMO EM 10 TÓPICOS DE MATEUS 11

  1. O Aprisionamento (versículos 1-6)
  2. O Deserto (versículos 7-10)
  3. A Consagração (versículos 7,8)
  4. O Profeta (versículos 9,10)
  5. A Grandeza (versículo 11)
  6. A Violência (versículos12-15)
  7. A Mensagem (versículos 16,17)
  8. A Reprovação (versículos 18,19)
  9. As Consequências (versículos 20-24)
  10. O Descanso (versículos 25-30)

Tendo falado da questão do aprisionamento de João, acima, começaremos nosso estudo no versículo 7 focando em “O Deserto”.

 

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 2: As Dobradiças da História

10 de fevereiro de 2015

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Incandescente:

  1. Branco, brilhante ou luminoso com calor intenso.
  2. De brancura surpreendente, radiante ou claro.
  3. Marcado pelo brilho, especialmente, de expressão.
  4. Caracterizado pelo zelo intenso: ardente.

Ele era a lâmpada que ardia e brilhava,

e vós quisestes alegrar-vos

por algum tempo com a sua luz.

João 5.35

A história da humanidade é uma sucessão de gerações transicionais. Essas junções cruciais, esses momentos únicos e sem precedentes do tempo, essas grandes e terríveis estações da história são como dobradiças, movimentadas pelas portas da redenção e do julgamento.

Desde a criação do cosmos até o exílio do Jardim; desde o chamado feito a Abraão até a exaltação de José; desde o dilúvio ao Êxodo; desde a seca nos dias de Elias até a deportação dos dias de Jeremias; e desde os dias de Ana, Simeão e João Batista até os dias de Pedro, Filipe e Paulo, olhamos para trás com admiração e temor no olhar quando vislumbramos a liderança única e extraordinária do Senhor em momentos cruciais da história. É nessas encruzilhadas que Ele estende seu santo braço forte para cumprir Seus planos e propósitos.

O MINISTÉRIO DO PRECURSOR

Como um precursor, Noé profetizou e preparou sua geração para a chuva; Moises, as pragas; Isaias, as invasões; Jeremias, as deportações. Os precursores são “vozes” que preparam “o caminho do Senhor” (Isaías 40.3-5). E são “mensageiros” (Mateus 11.10) que “preparam as pessoas” para que elas estejam preparadas “para o Senhor” (Lucas 1.17). Deus não faz nada “sem ter revelado seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3.6,7). Na verdade, é inegável que nunca houve uma geração transicional sem que Deus não tenha dado uma testemunha profética de antemão, com o fim de prepará-los. Os ministérios de homens como Samuel, Jonas e Ágabo declaram que Deus é indescritivelmente gentil e que considera uma injustiça agir de maneira inesperada, sem antes preparar aqueles a quem Ele tanto ama.

O ministério do precursor é um ministério de proclamação. Os precursores anunciam realidades iminentes antes que elas sejam manifestas. Noé anunciou o dilúvio. Moisés e Aarão anunciaram o êxodo. Elias anunciou a seca e a chuva. Jeremias, Joel e Isaías anunciaram a invasão, o exílio e a deportação. Zacarias, Ageu, Neemias e Esdras anunciaram o retorno e a restauração. Ana, Simeão e João Batista anunciaram a vinda do Senhor dos Judeus. E os apóstolos anunciaram o Evangelho do Reino às nações. Esses são todos os exemplos do ministério do precursor.

A SEGUNDA VINDA DE JESUS

Da mesma forma que Deus julgou necessário levantar tais mensageiros nas gerações dos antigos a fim de prepará-los para o que viria a acontecer nos seus dias, Deus julga necessário levantar esse mesmo ministério novamente ao fim dos tempos para preparar a Terra para o retorno de Seu Filho.

O Pai não enviou Seu Filho da primeira vez sem precursores em Israel, preparando o caminho. E não O enviará uma segunda vez sem precursores nas nações para preparar o caminho.

Enquanto o primeiro advento de Jesus foi, de longe, o evento mais substancial da história da humanidade, a maior parte da população não tinha ideia de que estava acontecendo. Em contraste, quanto Ele retornar, toda tribo, língua e nação saberá que o estará acontecendo. Testemunharão com seus próprios olhos; em todo o terror e esplendor daqueles dias sublimes e impressionantes. Dias virão em que os homens pedirão às montanhas que caiam sobre eles, para que se escondam da ira do Cordeiro (Apocalipse 6). Pode esperar: esses dias não virão sem que haja um testemunho de preparação.

Com uma magnitude inigualável do terror e da glória do Dia do Senhor em mente, nos certifiquemos, com ardente confiança, de que Deus irá separar os precursores para preparar as nações. Ainda mais: não hesitemos em dizer com igual confiança que a geração final dessa era presente irá testemunhar a emergência de um ministério do precursor como nenhuma outra geração na história, pela simples razão de que serão necessários. Creio que estamos no início desta geração, agora mesmo.

As “dores de parto” (Mateus 24.4-8) e o árduo trabalho da “grande tribulação” (Mateus 24.15-31) serão precedidos pelo som estridente de um testemunho profético que irá preparar a Igreja de maneira adequada e dará suficientes avisos às nações. Tratar a ideia da necessidade do ministério do precursor com resistência e indiferença sugere que Deus não está preocupado o bastante ou que Ele não é competente o bastante para guiar e preparar Seu povo para a maior transição que a Terra já viu acontecer.

Nos dias porvir, veremos uma transformação necessária da natureza do testemunho da Igreja para as nações. A maioria das pregações e ensinos que ouvimos no momento é histórica ou contemporânea, por natureza. Falamos muito do Messias que veio para morrer e conquistar a morte como um sacrifício em paga do pecado (como deveríamos ter, nós mesmos, sofrido). Falamos muito sobre as implicações dessa morte e ressurreição por nossas vidas agora (como deveríamos fazer). E falamos muito pouco sobre o Messias que virá novamente realizar tudo que está em Seu coração (o que é uma omissão custosa). A Igreja primitiva proclamou a cruz e a coroa. Eles eram um povo que apontava uma mão para trás, para o Gólgota e para o túmulo vazio, e usavam a outra mão para apontar para frente, para a vinda do Reino e dos dias tumultuosos que a precederiam. Eles declaravam o que havia acontecido. E eles declaravam o que viria a acontecer. Até que recuperemos esse futurismo apostólico, até que possamos dizer como Paulo que “declaramos todo o conselho de Deus” (Atos 20.27), continuaremos a viver sob as intenções de Deus para nossa geração, quer vivamos para ver os céus se abrirem ou não.

…assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” Hebreus 9.28

JOÃO, O BATISTA COMO O PRECURSOR MAIS DISTINTO

Essa série de artigos é uma exploração desse ministério essencial por meio de um estudo do caráter de João Batista, o Homem Incandescente.

Umas das razoes principais pelas quais valorizamos a vida de João e seu ensinamento é porque ele é o primeiro modelo de um precursor encarnando a mensagem, o mandato e o estilo de vida como nenhum outro homem na história. Sua vida provocativa e seu ministério breve, porém poderoso é a imagem mais clara e mais trabalhada do chamado de um precursor nas Escrituras.

Ele foi chamado para proclamar a vinda de Jesus a fim de preparar “o caminho” ao “preparar um povo” para a primeira vinda de Jesus. Ele foi um adiantamento de uma graça particularmente poderosa que seria dada a muitos ao final da era, que prepararão as nações para a segunda vinda de Jesus, assim com fez João da primeira vez. Podemos estar certos de que a graça e o poder dados a João são, em si mesmos, uma promessa de graça e poder futuros, para uma hora similarmente transicional da história.

Cada parte desta série é uma consideração do chamado de João como “mensageiro” “enviado” “antes” do Senhor para “preparar o caminho” do Senhor. Minha expectativa e minha oração é que muitos entrem em contato com essas realidades e encontrem seus próprios chamados e mandatos nas Escrituras, ao passo que vão aprendendo sobre João e vão se identificando com sua vida e seu ministério. Meu desejo mais intenso é que muitos possam crescer em confiança de são chamados pelo Senhor ao mesmo mandato de ministério para o qual João serviu de exemplo distinto.

Da mesma maneira que Deus levantou João antes da primeira vinda de Jesus, assim também Deus irá levantar muitos Joãos antes da segunda vinda. João preparou uma nação. Os precursores da geração final irão preparar as nações. Portanto, é minha esperança que aqueles que lerem esses artigos veja claramente e sem dúvidas que o ministério do precursor de forma alguma é exclusivo de João. Em todas as gerações transicionais, por toda a história, temos visto a emergência desse trabalho essencial.

Como Noé, Isaías, Jeremias e João, os precursores se preparam para que possam preparar outros para a transição histórica que irá ocorrer no curso de suas vidas. Observando a forma como João se preparou e como ele preparou os outros irá nos ajudar a compreender como devemos pôr nossos corações nesses dias maravilhosos, enquanto nos aproximamos do retorno do Senhor e do fechamento dessa Era.

Jesus declarou a continuidade do ministério do precursor quando disse: “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem.
(Mateus 24.37). E eu me aproprio do que Ele disse para declarar que: “Como foi nos dias de João Batista, assim também será na vinda do Filho do homem.

Aquele que tem ouvidos, ouça!” Mateus 11.15

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 1: Uma Vida Digna de Imitação

2 de fevereiro de 2015

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O Homem Incandescente 1: Uma Vida Digna de Imitação

Pouco tempo depois que me converti, recebi uma pilha de sermões de um pregador inglês chamado Leonard Ravenhill (1907-1994). Uma das mensagens era um esboço da vida e do ministério de João Batista, intitulado “O Homem Incandescente”. O Senhor usou a mensagem para agitar o que, agora, se tornou mais de uma década de considerações sobre o que a Palavra diz sobre o maior homem nascido de mulher (Mateus 11.11). A consideração de sua vida trouxe tanta definição à minha vida, ao passo que o Senhor continuou enfatizando a permanente relevância da mensagem e mandato do ministério do precursor, como revelado na Palavra.

Nas semanas e meses seguintes, escreverei sobre o Homem Incandescente e quero te convidar a se juntar a mim nas considerações renovadas de sua vida e seu legado, não com o propósito educacional, mas de imitação.

INTRODUÇÃO: O MAIOR HOMEM JÁ NASCIDO DE MULHER

O narrativa do Evangelho inicia com dois primos, com uma diferença de seis meses de idade. Eles são os maiores homens que já estiveram nessa Terra: Jesus de Nazaré e João, o Batista.

Esta série de artigos foca no mais velho e em seu ministério de exaltar seu Primo mais novo, o Eterno “Filho do Altíssimo”.

Enquanto Jesus merece eternamente mais atenção e infinitamente mais afeição que João, uma meditação no ministério e na mensagem do Batista de forma alguma intenta roubar glória do Mais Preeminente. Ao invés disso, um estudo no Nazireado (se for bem feito) tem o potencial de agitar dentro de nós um amor ainda mais fervoroso pelo Nazireu cujas sandálias João se declarou indigno “de desatar a correia” (João 1.27).

Nas palavras de um apóstolo, João “não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (João 1.8). Se iniciarmos uma meditação sobre a vida daquele que “era como a lâmpada que ardia e brilhava” (João 5.35) com isso em mente, seremos ricamente edificados.

João não é o Cristo. Portanto, ele não requer a lealdade ou adoração que Jesus requer. Mas seria sábio da nossa parte escutar seu depoimento e considerar seu testemunho. Especialmente nessa hora de aproximação do dia da volta de Jesus e da consumação desse Era presente.

Que a mensagem desta série de artigos seja fortalecedora daqueles que também foram chamados para esse ministério crucial, neste momento crucial da história.

 

Continua…

 

Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

Recuperando a Doutrina da Vingança de Deus – @DaltonThomas

14 de janeiro de 2015

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“O Dia da Vingança estava em Meu coração…” Isaías 63.4

O dia 10 de Junho de 2014 foi um dos dias mais pesarosos da minha curta vida. Foi o dia em que a cidade de Mosul caiu sob o poderio do Estado Islâmico (ISIS).

Lembro-me de estar sentado em meu sofá, em minha sala de estar, assistindo aos vídeos e fotos mais pavorosos que já vi aparecerem em uma enxurrada de hashtags nas mídias sociais. Execuções em massa eram postadas no Twitter. Gargantas eram cortadas no Youtube. Covas eras cheias de corpos sem vida e eram postadas nos Instagram. Sem censura. Friamente. Sem parar. Ao redor de todo o mundo, pessoas como eu sentaram em seus sofás e assistiram os soldados bárbaros do Estado Islâmico cometerem os maiores crimes de guerra da história moderna. Enquanto regimes assassinos do passado tentaram de todas as formas apagar suas atrocidades diante da comunidade internacional, os esquadrões da morte de Al-Baghdadi se gabavam das suas.

Poucos dias depois de a cidade cair, um amigo meu postou uma foto da porta da frente da casa de sua família, em Mosul, no Instagram. Ela estava marcada com a letra árabe “N”. Eles eram Cristãos. A foto que ele postou era sua despedida de sua vizinhança. Ele foi um dos sortudos que escaparam com vida.

Nas semanas seguintes à queda de Mosul e às execuções em massa em lugares como Tikrit, a comunidade internacional começou a debater uma resposta adequada ao regime que teria feito os Nazistas corarem. Os Cristãos começaram a oferecer suas opiniões sobre as virtudes da não-violência, a insanidade da guerra, a responsabilidade ética de proteger o oprimido e todo tipo de argumento imaginável.

Daqui, do conforto da minha sala de estar, do outro lado do mundo, meu coração se encheu com tantas emoções diferentes enquanto eu lia os tweets e blogs e posts de Facebook dos Cristãos que estavam tentando apresentar seus pontos de vista de maneira persuasiva, competindo e contradizendo-se. De todos os sentimentos que senti, o pesar foi o mais forte. Me entristecia a magnitude do sofrimento humano nas mãos do homem mau. E me entristecia ao perceber a inabilidade geral da igreja em compreender, opinar sobre ou abordar o assunto.

Quando Mosul caiu, as fachadas que cobriam a falência espiritual da igreja ocidental caíram com ela. Não tínhamos nada a dizer. E a maior parte do que estávamos dizendo não deveria ter sido dito de maneira alguma (considerei a possibilidade de incluir alguns prints dos tweets de líderes Cristãos durante os meses em que trabalhei neste artigo, mas decidi não fazê-lo).

Ao passo que os meses rolavam, me esforcei por descobrir e entender algumas das razões para nosso silêncio, nossas “palavras sem conhecimento que escurecem o conselho” (Jó 38.2) e nossa inabilidade de até mesmo olhar dentro do abismo brutalmente negro do Corão, que sanciona a violência jihadista (e me incluo nesse grupo apontado).

Fui levado a acreditar que a maior das razões é a nossa resistência pessoal e cultural, a nossa rejeição da realidade da vingança, retribuição e julgamento de Deus.

 

A VERDADE MAIS SUBDESENVOLVIDA DE NOSSO TEMPO

Consigo pensar em poucos assuntos que são tão impopulares quanto importantes, como a doutrina da vingança de Deus é hoje em dia.

O Cristianismo contemporâneo pop-cultural a evita amplamente, a descarta e abertamente a rejeita. Jesus, o Juiz, é como se fosse aquele tio bêbado de quem todos nos envergonhamos em todas as reuniões de família de fim de ano. Preferimos fingir que Ele não existe.

Será que essa é a realidade teológica mais preterida dos nossos tempos?

Nesse momento da história tumultuado, ruidoso, violento e agressivo é imperativo que a recuperemos.

 

O QUE É?

A mensagem bíblica da vingança está gira em torno da realidade da retribuição divina no tempo e no espaço. É a reivindicação da palavra de Deus, do caráter de Deus, da aliança de Deus e do povo de Deus.

É grandemente e quase totalmente associada ao fim dos tempos, o Dia do Senhor, quando a janela de anistia e misericórdia (atualmente aberta) será fechada em preparação para a limpeza e restauração da ordem, que estava condenada. É o Dia quando o Senhor manchará Suas vestes com o sangue das nações, às quais Ele pisa como a uvas num lagar (Isaías 63); o Dia quando Ele fará com que a face da terra murche (Isaías 24); o Dia em que o Senhor ferirá os cabeças de muitos países e a tudo encherá que corpos mortos (Salmos 110); quando abaterá a soberba dos tiranos (Isaías 13); o Dia em que Sua indignação e Sua ira aos que são desobedientes (Romanos 2); quando executará punição eterna aos que não obedecem (II Tessalonicenses 1.8,9); separa as nações entre ovelhas a serem recompensadas e bodes a serem condenados ao fogo eterno (Mateus 25); beberá do cálice do furor do Senhor (Isaías 51 e Apocalipse 16); cortará em dois os maus e os hipócritas (Mateus 24); ferirá a terra com a vara de Sua boca (Isaías 11); executará o julgamento dos rebeldes, destinando-os ao fogo eterno (Judas); lambuzará Sua espada do sangue e da gordura daqueles que se opõem a Ele (Isaías 34); despedaçará as nações como um oleiro quebrando vasos de barros (Salmos 2); e pagará aos maus com a merecida retribuição e vingança (Romanos 12).

Dado o número de passagens que detalham o Dia quando Deus irá executar Sua santa vingança, podemos compreender porque Ele disse a Isaías: “O dia da vingança estava em meu coração” (Isaías 63.4).

 

ÓDIO POR UM DEUS QUE JULGA

A razão principal de que a realidade da vingança de Deus é impopular em nossos dias, é porque a achamos ofensiva nos terrenos lamacentos em que “surge como uma contradição dos atributos sensíveis de Deus: Sua misericórdia, Sua gentileza, Sua bondade, Sua paciência.

Como diria A. W. Tozer: “Deus nunca suspende um atributo para exercer um outro.” Jesus é o Leão e o Cordeiro. A vingança e a misericórdia não se contradizem entre si, assim como não o fazem o Lago de Fogo e os Novos Céus e Uma Nova Terra; eles são verdades; preciosos, importantes, verdades duradouras. É tão frequente encontrarmos frases sobre “a bondade e a severidade de Deus” (fazendo uso das palavras de Paulo, em Romanos 11.20-22), estando lado a lado no mesmo contexto.

Ele não é misericordioso OU justo. Ele é Deus.

Todas as heresias e erros vêm de uma tentativa carnal de opor realidades legítimas e categorias umas contra as outras. Precisamos resistir à tentação do reducionismo teológico que tanto permeia nossa cultura Cristã tão superficial. Deus é bom. Nós exploraremos as profundezas de Sua bondade por eras sem fim. Mas Ele também é justo. A forma como Ele executa justiça não contradiz Sua bondade, só a confirma.

 

MAS E O NOVO TESTAMENTO?

Um dos motivos pelo qual a vingança de Deus é escarnecida pelos crentes hoje em dia, é porque tantos já compram a conclusão de que essa é uma “ideia do Antigo Testamento”, que foi abolida, de alguma maneira, pela mensagem central do Novo Testamento. Como um pregador disse uma vez: “Jesus é teologia pura” para persuadir as pessoas de que, em Sua misericórdia e amor, Jesus supostamente nos deu uma nova imagem de Deus em que podemos permanecer; uma imagem que nega a severidade de Deus, que podemos ver no Antigo Testamento. Os problemas com essa apologética são enormes.

O problema com a ideia de que a graça do Novo Testamento suplanta a vingança do Antigo Testamento (que são categorias falsas e vazias) não somente é que o Novo Testamento está repleto de afirmações pesarosas da santa fúria de Deus, mas também que Sua vingança é, de maneira bem real, mais aterrorizante agora do que era antes de o sangue do santo Filho de Deus ter sido derramado. A certeza da vingança de Deus é solidificada no Novo Testamento, e não abolida. Considere isto:

Quebrantando alguém a lei de Moisés (Antigo Testamento), morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus (Novo Testamento), e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: ‘Minha é a vingança, eu darei a recompensa’, diz o Senhor. E outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo’.“ Hebreus 10.28-30
A frase “de quanto maior castigo” é de dar calafrios. O Evangelho da graça que encontramos no Novo Testamento não nos ensina que a vingança é negada pela graça, mas que se o Espírito da graça for insultado, se o sangue do Filho que foi morto for pisado e profanado, se Sua misericórdia for escarnecida, o Senhor irá “recompensar” com “vingança”.

É importante reconhecer que se formos comparar o número de versos sobre a severidade de Deus, o Novo Testamento se equipara ao Antigo Testamento. E é interessante notar que a maioria dos textos sobre vingança, julgamento e retribuição de Deus no Novo Testamento são pastorais, por natureza. Por exemplo, considere Romanos 12, um capítulo em que Paulo transiciona de sua seção sobre “o mistério de Israel”, em Romanos 9 a 11 para exortações pastorais a uma comunidade que passa por aflições, por injustiças pessoais. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: ‘Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor’.” (Romanos 12.19)

O contexto do versículo é a perseguição e os maus-tratos de crentes. A eles, Paulo diz: “Quando as pessoas os desonrarem, tirarem as coisas de vocês, fizerem mal a vocês, zombarem de vocês ou matarem seus entes queridos, deixe que sua sede por justiça seja extinguida pela certeza de que o Senhor irá intervir por vocês com forca e fúria, um dia.” Os detalhes específicos de como vai ser aquele Dia são explicados à outra comunidade necessitada do poder assegurador da doutrina da retribuição divina.

“Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder,
com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós).” I Tessalonicenses 1.6-10

Atente para a linguagem. “Se de fato é justo”. “Dê em paga”. “Tomando vingança”. “Por castigo”. Um Soberano justo que paga os homens rebeldes com aflição por punição devastadora eternamente não pode ser popular em nossos dias. Mas isso não muda o fato de que isso é o que o Homem a quem amamos e adoramos fará em Sua aparição. Esse é o nosso Jesus.

Esse texto, em particular, deixa claro que nós não somente não mudaremos o futuro ou o caráter de Deus por negarmos que Ele é um Deus de vingança, mas também que estamos roubando a Igreja uma das realidades fundamentais que nos sustenta para suportarmos sofrer injustiça.

PORQUE É IMPORTANTE

Além de ser simplesmente verdadeira, a doutrina da vingança de Deus é importante por dez mil motivos. À luz do momento histórico em que nossos filhos estão sendo criados, um tempo de injustiça, depravação, violência e pecado sem precedentes, eu quero fazer menção de duas razões.

É importante para a Igreja perseguida. O alivio está a caminho. A retaliação é inútil. Nosso desejo por vingança e conforto será satisfeito. Aqueles que afligem os justos serão recompensados na íntegra no grande Dia. Outrossim, tentados a chicotear nossos inimigos em busca de obter justiça por nós mesmos, a realidade da vingança divina nos muda. Passamos a ver nossos inimigos de maneira diferente. E nos vemos de forma diferente, também. Sabendo que seremos recompensados por nosso sofrimento e que eles serão esmagados por terem infligido o sofrimento, nossa agressão se torna em compaixão intercessória, por meio da qual buscamos a salvação daqueles que, caso não se arrependam, sofrerão as eternas consequências por sua provocação. É por isso que o escritor de Hebreus pôde dizer:

“…suportastes grande combate de aflições. Em parte fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, e em parte fostes participantes com os que assim foram tratados. Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente. Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Hebreus 10.32-36

Deus recompensa e Deus executa a retribuição. É quem Ele é. O sangue derramado de Jesus amplifica quão misericordiosa Sua misericórdia realmente é e quão poderosa Sua fúria pode verdadeiramente ser.

Também é importante para os pregadores do Evangelho. O Dia da vingança do está no coração do Senhor. A janela de misericórdia e anistia eventualmente irá se fechar. O Evangelho do Reino que proclamamos tem tanto a ver com a misericórdia rica e disponível quanto com a justiça e a retribuição. Há uma pena para o pecado. Devemos dar testemunho tanto dos momentos doces quanto dos momentos amargos; de Sua bondade assim como de Sua severidade.

O ambiente do mundo ocidental nos permite o luxo de não lidar seriamente ou responsavelmente com as grandes questões surgidas em eventos como as que transpiraram no Levante de Junho passado (eventos que continuam acontecendo até hoje). A realidade infeliz é que esse luxo está, na verdade, mutilando nossa capacidade de testemunhar em nosso país e fora dele. E o mais importante, está erodindo nossas almas. “Como?”, você pode perguntar. Nos encorajando a continuar recorrendo às mentiras em que temos acreditado por muito tempo e continuar propagando essas mentiras sobre Deus.

Ó, Senhor Deus,

A quem a vingança pertence

Ó, Deus, a quem a vingança pertence

Mostra-te resplandecente.
Exalta-te, Tu, que és Juiz da terra…
(Salmos 94.1-2)

Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

Próximos Eventos @ABaseOrg – Outubro / Novembro / Dezembro

13 de outubro de 2014

seminario_criacaodefilhos

base_dwayneroberts

base_kirk

Noite de Adoração com @LauraSouguellis na @ABaseOrg

7 de outubro de 2014

base_laurasouguelis

#ABaseOrg Convida:

Noite de Adoração com Laura Souguellis – Florianópolis House of Prayer

Quarta-Feira – 08/10 – 20h – Entrada Franca

Base /// Rua Eurico de Aguiar 905
Santa Lúcia – Vitoria/ES
Próximo ao Cerimonial Oásis (027) 3207-9985 / 99795-2223

www.abase.org / contato@abase.org

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Seu Nome é Jesus – Youtube Audio

3 de outubro de 2014

Na minha humilde opinião, esta é minha melhor composição até esta data. E como humildade demais é orgulho, eu acho esta musica muito boa, de verdade. Emocionante ao vivo, super sensível na versão do disco, é uma das músicas que espero um dia regravar com os trechos espontâneos que adicionei ao logo do tempo. Amigos já pediram para grava-la, e eu creio que ela ainda tem muito potencial a ser descoberto e explorado.

Seu Nome é Jesus é inspirada na jornada de Jesus em Filipenses 2, quando Deus abre mão de sua glória e vira homem. Como se não bastasse, ele é obediente até a morte. Morte de cruz. Após cumprir esta jornada, Deus Pai exalta Jesus sobre tudo que existe. Jesus agora é um homem glorioso que está assentado a direita da Majestade nas alturas, sustentando o universo pelo poder de sua palavra. Diga para o irmão do seu lado: wow!

Comprar o disco físico

Comprar mp3 no iTunes

Youtube Go Brave Films

Victor Vieira / Adoração e Palavra

26 de setembro de 2014

http://new.livestream.com/idlvalinhos/events/2420730/videos/61445863

Set List:

1 – Vem habitar – 0:00
2 – Teu amor não falha – 6:22
3 – Santo (Matt Redman) – 12:45

4 – Ninguém mais – 19:25

Palavra:

“7 Principios Eternos” – 51:15


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