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O Homem Incandescente 5: A Consagração

31 de março de 2015

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Nessa parte de nossa série sobre João Batista, vamos explorar a questão da consagração, levando em consideração as primeiras descrições feitas por Jesus sobre o precursor, em Mateus 11.

O QUE VOCÊ SAIU PRA VER NO LUGAR ERMO?

Focaremos nos versículos 7 e 8, onde lemos as palavras de abertura do sermão. “Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: ‘que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento?Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis.’” Mateus 11:7-8

João arrebatou a atenção de uma nação. Sua presença era reconhecida pelos políticos, sacerdotes e prostitutas. Sua mensagem prendia as massas. E seu ministério desafiava todas as esferas da sociedade. Lucas 3 fala sobre o grande impacto de João sobre todos os níveis da sociedade naquela terra. Em Mateus 3.5, lemos que “iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judéia, e de toda a circunvizinhança do Jordão”. As palavras “iam ter” em Mateus 3 espelham a palavra “saístes” de Mateus 11.

João não buscava fama, notoriedade e preeminência. Mas o fogo que havia dentro dele fez com que ele fosse conhecido. Isso provocou uma geração inteira a buscar estar com ele e escutar ao que ele dizia. Ao ver uma multidão se deslocando para o deserto para “regozijarem-se na luz” daquele que “brilhava”, Jesus propõe uma pergunta: “O que os levou ao deserto? O havia em João que provou vocês? Porque vocês ficaram intrigados? O que moveu tanto seus corações, naquele homem? Que tipo de homem era João? O que foi que os atraiu a ele?” Por duas vezes Ele responde à sua pergunta retórica, ao falar sobre a integridade do caráter de João e uma vez, falando sobre a natureza do ministério de João.

As primeiras duas vezes que Jesus faz a pergunta, Ele está vingando a integridade, o caráter e os motivos (o estilo de vida) de João. Na terceira vez, como veremos no próximo artigo, Ele vinga o ministério de João. Uma vez que o impacto de seu ministério era o fruto de seu estilo de vida, nós devemos começar por onde Jesus começou.

Começamos considerando o que motivava João a dizer o que ele dizia e fazer o que fazia. O impacto público de João foi o produto da integridade e da intimidade particular dele. Quem João era no lugar secreto foi o que fez dele a pessoa pública que era. Ele brilhou por fora porque ele queimava por dentro. Portanto, Jesus começa absolvendo o caráter de João.

UM CANIÇO AGITADO PELO VENTO?

Primeiro, Ele pergunta se João era “um caniço agitado pelo vento”. Essa pergunta trata da fortaleza, da determinação e da estabilidade de João. Um caniço pode ser facilmente balançado, arrancado, machucado e quebrado. E o vento é imprevisível, impossível de contornar, indomável e inconsistente.

Ao atar essas duas coisas juntas, Jesus avaliou publicamente a determinação, a dedicação e o compromisso de João diante da pressão, incerteza e oposição. Jesus estava dizendo: “Algum de vocês já viu João hesitar? Já viram ele se render aos ataques da oposição? Ele era um homem que poderia ser agitado? Ele era um homem frágil? Ou ele era firme, forte, ardente, fervoroso e inflexível em suas convicções? Ele era corajoso? Ou ele era tímido e inconsistente?” A resposta inaudível para essa pergunta é “Não”. João era implacável.

Aplicando força total e uma retórica genial, Jesus estava gritando: “Ele não pode ser agitado lá atrás, e ele pode ser agitado agora que está aprisionado pelo homem a quem João publicamente expôs e desafiou! João não é um caniço agitado pelo vento sendo dobrado, machucado, quebrado e agitado pelo vento adverso do escárnio de seus inimigos.”

UM HOMEM VESTIDO EM VESTES LUXUOSAS

Segundo, Ele pergunta se João era um homem “trajado em vestes luxuosas”, que ficava “nas casas dos reis”. Nesse ponto, Jesus está falando sobre as motivações do coração de João. Naqueles dias, um homem vestido de roupas luxuosas era alguém que estava acostumado com o conforto e com as facilidades e era atraído por essas coisas. Um homem desses possuía riquezas, pertencia ao mais alto escalão da sociedade, dava valor às posses, se importava com aparências, se preocupava sobre o que as pessoas iriam pensar dele e investia seus recursos em manter certo status em sua cultura. Um homem que habitava numa casa de reis era alguém facilmente manipulável e coagido.

Ele mesmo não era da realeza, mas gravitava em torno daqueles que tinham parte nos prazeres e nos privilégios da realeza. Esse homem queria estar no lugar certo, na hora certa, fazendo os contatos certos, por meio dos relacionamentos certos para se certificar de que firmaria seu lugar na sociedade. Aqueles que conheciam João sabiam que essa não era a descrição mais precisa dele.

João não usava vestes luxuosas, assim como também não habitava nas casas dos reis. Ele não era abalado pela política. Ele não era leal aos poderosos. Ele não dava valor às posses e pouco se importava em fazer os contatos certos com as pessoas chamadas de elite em qualquer círculo. Ele não podia ser comprado. E não se vendia. Não podia ser manipulado e não podia ser intimidado. Mateus 3 descreve João como um como um tição que habitava o “deserto” usando “uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos”, comendo “gafanhotos e mel silvestre” (Mt. 3.4,5). Esse é um duro contraste com as vestes luxuosas usadas pelos ricos. Mateus 14 registra porque João foi preso.

Ele desafiou Herodes, o Tetrarca, sobre seu casamento com a esposa de seu irmão, dizendo: “Não te é lícito possuí-la”. Esse é um contraste enorme com o homem que vive nos palácios dos reis. Isso porque naquele exato momento, João estava vivendo na masmorra embaixo do palácio do Tetrarca, aguardando sua execução.

Ao fazer essas duas perguntas iniciais, Jesus estava enfatizando o que era de conhecimento público sobre João: seu estilo de vida simples e a integridade de suas motivações em seu ministério. A consagração de que Jesus falou em Mateus 11.7,8 nos dá uma pequena, mas significante noção da vida do Batista: ele era inflexível e inabalável.

UMA GRAÇA QUE FOI ORDENADA

Essa consagração não foi algo passageiro. João tinha uma história de consagração que começou a ser escrita antes mesmo de seu nascimento. Foi uma graça ordenada, profetizada antes mesmo que ele soubesse de sua existência. Antes ainda de sua concepção no vente de sua mãe, ele já havia sido separado e marcado pelo Senhor para andar em santo abandono para executar sua tarefa de “preparar ao Senhor um povo bem disposto”.

Lucas começa seu Evangelho, com a introdução: os pais estéreis e velhos de João, Zacarias e Isabel. Na plenitude do tempo e na providencia de Deus, a responsabilidade de executar os deveres sacerdotais no Templo caiu sobre Zacarias. Ali, no lugar Santo, o anjo Gabriel apareceu para o velho Zacarias. Temeroso e perplexo pelo motivo da visita do anjo, além de estar ansioso pela explanação daquele momento sagrado, Zacarias levantou os olhos para ver o mensageiro celestial, aguardando pela palavra.

Bem ali, parado e cheio de temor pelo encontro inesperado, a voz do santo ser trovejou dentro daquele homem velho, enquanto ele permanecia boquiaberto. Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Lucas 1:13-17

Após acalmar o coração temeroso de Zacarias, dizendo “não temas”, Gabriel começou a profetizar. Ele falou de uma criança que ainda viria a nascer; um profeta consagrado.  

UMA VIDA DIGNA DE IMITAÇÃO

Essas palavras eram o sonho do coração do Pai para a vida de João. E é o sonhos de nosso Pai celestial para muitas vidas nesse exato momento: viver grandiosamente “diante do Senhor”, de maneira consagrada, “cheio do Espírito Santo”, convertendo a muitos e preparando “ao Senhor um povo bem disposto”. Se essas afirmações e palavras agitarem seu coração, pode muito bem ser que Deus tenha ordenado o mesmo tipo de graça que estava sobre João para vir sobre a sua vida. A vida de João é uma daquelas dignas de serem imitadas. Senhor, faça de nós homens e mulheres como João. Que as palavras que disseste sobre a vida de João sejam as palavras que um dia ouviremos serem ditas pelo Senhor as nossas vidas. Nos dê uma visão de sermos grandes aos Seus olhos. Faz de nos um povo disposto no qual Você se deleite em usar para preparar outros para a vinda do Seu Filho.  

Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon


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