Posts Tagged ‘Deserto’

O Homem Incandescente 5: A Consagração

31 de março de 2015

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Nessa parte de nossa série sobre João Batista, vamos explorar a questão da consagração, levando em consideração as primeiras descrições feitas por Jesus sobre o precursor, em Mateus 11.

O QUE VOCÊ SAIU PRA VER NO LUGAR ERMO?

Focaremos nos versículos 7 e 8, onde lemos as palavras de abertura do sermão. “Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: ‘que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento?Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis.’” Mateus 11:7-8

João arrebatou a atenção de uma nação. Sua presença era reconhecida pelos políticos, sacerdotes e prostitutas. Sua mensagem prendia as massas. E seu ministério desafiava todas as esferas da sociedade. Lucas 3 fala sobre o grande impacto de João sobre todos os níveis da sociedade naquela terra. Em Mateus 3.5, lemos que “iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judéia, e de toda a circunvizinhança do Jordão”. As palavras “iam ter” em Mateus 3 espelham a palavra “saístes” de Mateus 11.

João não buscava fama, notoriedade e preeminência. Mas o fogo que havia dentro dele fez com que ele fosse conhecido. Isso provocou uma geração inteira a buscar estar com ele e escutar ao que ele dizia. Ao ver uma multidão se deslocando para o deserto para “regozijarem-se na luz” daquele que “brilhava”, Jesus propõe uma pergunta: “O que os levou ao deserto? O havia em João que provou vocês? Porque vocês ficaram intrigados? O que moveu tanto seus corações, naquele homem? Que tipo de homem era João? O que foi que os atraiu a ele?” Por duas vezes Ele responde à sua pergunta retórica, ao falar sobre a integridade do caráter de João e uma vez, falando sobre a natureza do ministério de João.

As primeiras duas vezes que Jesus faz a pergunta, Ele está vingando a integridade, o caráter e os motivos (o estilo de vida) de João. Na terceira vez, como veremos no próximo artigo, Ele vinga o ministério de João. Uma vez que o impacto de seu ministério era o fruto de seu estilo de vida, nós devemos começar por onde Jesus começou.

Começamos considerando o que motivava João a dizer o que ele dizia e fazer o que fazia. O impacto público de João foi o produto da integridade e da intimidade particular dele. Quem João era no lugar secreto foi o que fez dele a pessoa pública que era. Ele brilhou por fora porque ele queimava por dentro. Portanto, Jesus começa absolvendo o caráter de João.

UM CANIÇO AGITADO PELO VENTO?

Primeiro, Ele pergunta se João era “um caniço agitado pelo vento”. Essa pergunta trata da fortaleza, da determinação e da estabilidade de João. Um caniço pode ser facilmente balançado, arrancado, machucado e quebrado. E o vento é imprevisível, impossível de contornar, indomável e inconsistente.

Ao atar essas duas coisas juntas, Jesus avaliou publicamente a determinação, a dedicação e o compromisso de João diante da pressão, incerteza e oposição. Jesus estava dizendo: “Algum de vocês já viu João hesitar? Já viram ele se render aos ataques da oposição? Ele era um homem que poderia ser agitado? Ele era um homem frágil? Ou ele era firme, forte, ardente, fervoroso e inflexível em suas convicções? Ele era corajoso? Ou ele era tímido e inconsistente?” A resposta inaudível para essa pergunta é “Não”. João era implacável.

Aplicando força total e uma retórica genial, Jesus estava gritando: “Ele não pode ser agitado lá atrás, e ele pode ser agitado agora que está aprisionado pelo homem a quem João publicamente expôs e desafiou! João não é um caniço agitado pelo vento sendo dobrado, machucado, quebrado e agitado pelo vento adverso do escárnio de seus inimigos.”

UM HOMEM VESTIDO EM VESTES LUXUOSAS

Segundo, Ele pergunta se João era um homem “trajado em vestes luxuosas”, que ficava “nas casas dos reis”. Nesse ponto, Jesus está falando sobre as motivações do coração de João. Naqueles dias, um homem vestido de roupas luxuosas era alguém que estava acostumado com o conforto e com as facilidades e era atraído por essas coisas. Um homem desses possuía riquezas, pertencia ao mais alto escalão da sociedade, dava valor às posses, se importava com aparências, se preocupava sobre o que as pessoas iriam pensar dele e investia seus recursos em manter certo status em sua cultura. Um homem que habitava numa casa de reis era alguém facilmente manipulável e coagido.

Ele mesmo não era da realeza, mas gravitava em torno daqueles que tinham parte nos prazeres e nos privilégios da realeza. Esse homem queria estar no lugar certo, na hora certa, fazendo os contatos certos, por meio dos relacionamentos certos para se certificar de que firmaria seu lugar na sociedade. Aqueles que conheciam João sabiam que essa não era a descrição mais precisa dele.

João não usava vestes luxuosas, assim como também não habitava nas casas dos reis. Ele não era abalado pela política. Ele não era leal aos poderosos. Ele não dava valor às posses e pouco se importava em fazer os contatos certos com as pessoas chamadas de elite em qualquer círculo. Ele não podia ser comprado. E não se vendia. Não podia ser manipulado e não podia ser intimidado. Mateus 3 descreve João como um como um tição que habitava o “deserto” usando “uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos”, comendo “gafanhotos e mel silvestre” (Mt. 3.4,5). Esse é um duro contraste com as vestes luxuosas usadas pelos ricos. Mateus 14 registra porque João foi preso.

Ele desafiou Herodes, o Tetrarca, sobre seu casamento com a esposa de seu irmão, dizendo: “Não te é lícito possuí-la”. Esse é um contraste enorme com o homem que vive nos palácios dos reis. Isso porque naquele exato momento, João estava vivendo na masmorra embaixo do palácio do Tetrarca, aguardando sua execução.

Ao fazer essas duas perguntas iniciais, Jesus estava enfatizando o que era de conhecimento público sobre João: seu estilo de vida simples e a integridade de suas motivações em seu ministério. A consagração de que Jesus falou em Mateus 11.7,8 nos dá uma pequena, mas significante noção da vida do Batista: ele era inflexível e inabalável.

UMA GRAÇA QUE FOI ORDENADA

Essa consagração não foi algo passageiro. João tinha uma história de consagração que começou a ser escrita antes mesmo de seu nascimento. Foi uma graça ordenada, profetizada antes mesmo que ele soubesse de sua existência. Antes ainda de sua concepção no vente de sua mãe, ele já havia sido separado e marcado pelo Senhor para andar em santo abandono para executar sua tarefa de “preparar ao Senhor um povo bem disposto”.

Lucas começa seu Evangelho, com a introdução: os pais estéreis e velhos de João, Zacarias e Isabel. Na plenitude do tempo e na providencia de Deus, a responsabilidade de executar os deveres sacerdotais no Templo caiu sobre Zacarias. Ali, no lugar Santo, o anjo Gabriel apareceu para o velho Zacarias. Temeroso e perplexo pelo motivo da visita do anjo, além de estar ansioso pela explanação daquele momento sagrado, Zacarias levantou os olhos para ver o mensageiro celestial, aguardando pela palavra.

Bem ali, parado e cheio de temor pelo encontro inesperado, a voz do santo ser trovejou dentro daquele homem velho, enquanto ele permanecia boquiaberto. Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Lucas 1:13-17

Após acalmar o coração temeroso de Zacarias, dizendo “não temas”, Gabriel começou a profetizar. Ele falou de uma criança que ainda viria a nascer; um profeta consagrado.  

UMA VIDA DIGNA DE IMITAÇÃO

Essas palavras eram o sonho do coração do Pai para a vida de João. E é o sonhos de nosso Pai celestial para muitas vidas nesse exato momento: viver grandiosamente “diante do Senhor”, de maneira consagrada, “cheio do Espírito Santo”, convertendo a muitos e preparando “ao Senhor um povo bem disposto”. Se essas afirmações e palavras agitarem seu coração, pode muito bem ser que Deus tenha ordenado o mesmo tipo de graça que estava sobre João para vir sobre a sua vida. A vida de João é uma daquelas dignas de serem imitadas. Senhor, faça de nós homens e mulheres como João. Que as palavras que disseste sobre a vida de João sejam as palavras que um dia ouviremos serem ditas pelo Senhor as nossas vidas. Nos dê uma visão de sermos grandes aos Seus olhos. Faz de nos um povo disposto no qual Você se deleite em usar para preparar outros para a vinda do Seu Filho.  

Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 4: Forjado no Deserto

10 de março de 2015

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Depois de falar sobre a questão dos discípulos de João e a autenticidade de Seu ministério como o Messias, Jesus se virou para as multidões e falou sobre a autenticidade do ministério de João como profeta. Ele começa Sua mensagem com uma pergunta: “Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: ‘O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?’” (Mateus 11.7).

 

o fato de João ter ministrado no deserto não pode ser desprezado. Nem suas implicações devem escapar de nossa consideração da vida e do ministério de João e daqueles que são chamados ao ministério do precursor em nossa geração. O deserto era o contexto e a realidade de João. É um contexto e uma realidade para os quais também somos chamados.

ONDE OS PROFETAS SÃO FORJADOS E AS NAÇÕES SÃO CONFRONTADAS

O ermo foi a fornalha em que João foi forjado. E era o contexto em que Deus preparou Israel para a geração transicional que estava por vir.

Como Abraão, Moisés, Josué, Davi e Elias que foram todos criados como líderes no ermo, O Senhor chamou João para “se esconder” (I Reis 17.3) no deserto, como um amigo íntimo, com a intenção de que um dia ele fosse chamado para “apresentar-se” (I Reis 18.1) às nações como um profeta incandescente.

A mensagem do ermo é um elemento integrante do ministério do precursor. Era indispensável na preparação de João. E será indispensável para preparar muitos, assim como João, no final dos tempos.

Antes de considerarmos a significância do deserto na formação de João, é importante enfatizar o fato de que o ermo tem mais a ver com convicções e estilo de vida, do que com localização ou com uma vocação. Não há nada sobre o deserto que seja inerente ou intrinsecamente significante ou transformador. O deserto não passa de pó e ar. O que faz do deserto uma parte crucial na história de João (e de muitos outros antes dele) é a visão e os valores que o levaram até lá. Moisés e Josué certamente podem nos lembrar que nem toda experiência no ermo nos transforma, agrada ao Senhor ou intimida o Maligno. Todavia, todos os profetas (inclusive Moisés e Josué) podem nos fazer lembrar que nenhum dos vasos do Senhor evitou viver essa experiência.

O conceito de ermo é entrelaçado com a vida e o ministério de João em todo o registro Bíblico. Está no cerne da história. Em Lucas 1.80, encontramos uma afirmação curta, porém poderosa sobre a natureza da preparação de João com respeito ao deserto. “Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel.” Lucas 1.80

Esse versículo nos fala sobre como ele cresceu, onde ele cresceu, e no que ele se tornou. Ali, na vastidão do deserto árido do Oriente Médio, um jovem homem “crescia, e se robustecia em espírito”. Ele cresceu na revelação de Deus. Ele examinou profundamente a Palavra de Deus. Aquela Palavra prevaleceu sobre ele. Ele abraçou a graça do jejum e da oração. O poder foi aperfeiçoado em sua fraqueza. Ao passo que ele crescia em estatura física, deixou de ser um menino para se tornar um homem que cresceu em autoridade espiritual como um líder, um pregador e um profeta. Seu espírito tornou-se forte. Suas convicções foram seladas. Sua mensagem foi amadurecida. E seu mandato tornou-se mais claro a cada ano que passava. Quando lemos o Evangelho, lemos relatos sobre o nascimento de João e aí não ouvimos mais falar nele até que ele emerge décadas depois, como um adulto, no auge de sua vida.

Um ponto que merece ser enfatizado é o fato de que João permaneceu um ermitão por todos os seus dias. Desde sua juventude “até o dia em que apareceu publicamente”, João ficou sozinho “no ermo”. Até mesmo quando seu ministério teve início, a nação “saiu para” vê-lo. A única razão pela qual ele deixou o deserto foi por que foi encarcerado e executado. Ele estava, por um lado, exilado de sua auto-imposição de exílio quando foi arrastado para dentro da cidade para sofrer seu derradeiro destino.

O entendimento que João tinha de quem ele era e de quê ele foi chamado para fazer estava firmado numa profecia que está em Isaías 40. Quando a liderança religiosa daquele tempo perguntou quem ele era e o que ele fazia, João apontou para eles esse capítulo chave e falou como se visse a si mesmo no texto. Por exemplo, em João capitulo 1 lemos:

E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: ‘Quem és tu?’ Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: ‘Eu não sou o Cristo.’ Ao que lhe perguntaram: ‘Pois que? És tu Elias?’ Respondeu ele: ‘Não sou.’ ‘És tu o profeta?’ E respondeu: ‘Não.’ Disseram-lhe, pois: ‘Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?’ Respondeu ele: ‘Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.’” João 1.19-23

A “voz” emergiu “no deserto”. Não em Jerusalém. Não nas escolas rabínicas. Não nas sinagogas. O som de trovão do profeta ecoava no ermo. O deserto era o lar do precursor. Era o ventre através do qual o líder podia nascer. É o caldeirão em que ele foi forjado. Foi o canteiro em que o mensageiro profético teve suas raízes deixou crescer suas raízes. E é nesse contexto em que Deus determina o confronto a povos e nações.

A MODERNIDADE E O CHAMADO PARA O ERMO

Enquanto o lugar ermo em que João amadureceu fosse um deserto literal (assim como foi com Moisés e Davi), muitos precursores em toda a história foram preparados no lugar ermos, de maneira figurada, nas cortes de tiranos Gentios (Daniel), na presença de dignitários Judeus (Isaías), no meio da sociedade (Jeremias), na Casa do Senhor (Samuel), na Tenda da Congregação (Josué), no Tabernáculo de Davi (filhos de Corá) e nas comunidades proféticas (Eliseu).

Relativamente falando, esses homens experimentaram o mesmo tipo de ministério que João, e viveram o mesmo estilo de vida de João. Mas o contexto em que eles foram preparados como mensageiros foi muito diferente do de João. A “estufa” proverbial em que “cresceram e se robusteciam em espírito” variava de homem para homem, de geração para geração. Da mesma forma acontece nos nossos dias.

Em nossa geração o Senhor está, mais uma vez, separando precursores para viverem no estilo de vida do lugar ermo. Como Jesus em Lucas 4, eles sentem que são “guiado pelo Espírito para o deserto”. Eles se sentem deslocados em muitos lugares, se não for exagero dizer que isso acontece na maioria dos lugares. Não porque eles são anti-sociais (embora alguns possam ser), mas porque eles acham impossível reconciliar o que vêem a sua volta com o peso do Senhor em relação ao futuro. Eles se afligem pela revelação da crise iminente. Eles sentem a dor de estarem conscientes da fraqueza de suas palavras, usadas para trazer à tona a responsabilidade para que os outros percebam a urgência que tem essa hora. O estilo de vida do lugar ermo (jejum, oração, estudo, comunidades, meditação, contemplação, pureza, humildade, ousadia, autenticidade) é o único lugar em que esses indivíduos se sentem em casa.

Embora uma pequena minoria seja chamada para levar o testemunho do retorno de Jesus e também seja chamada para um retiro completo e deliberado da sociedade num local deserto pelo bem da sua preparação, a maioria terá de se preparar e ministrar em comunidades urbanas em meio à população das cidades, nas nações da terra. A afirmação “João estava no deserto” ressoará em seus corações assim com ressoa em mim, não por que nos sentimos chamados para o deserto literal em que João viveu, mas porque nos sentimos chamados ao estilo de vida a que João foi convidado por causa das convicções orientadoras, das visões e dos valores; uma vida de consagração e preparação deliberada à luz do que discernimos no horizonte.

TRÊS MANEIRAS PELAS QUAIS O LUGAR ERMO FOMENTAR OS PRECURSORES

O contexto do lugar ermo está para o profeta e o ministério profético assim como o odre está para o vinho; assim como a fornalha está para o metal; como uma estufa está para plantas. Ele facilita e promove a maturidade. Ele acelera o desenvolvimento. Ele dá condições para o processo de formação.

Há três maneiras que o lugar ermo servir àqueles que são chamados para o ministério do precursor.

 

Primeiro, o lugar ermo forja o homem. É lá, na simplicidade da proximidade com o Senhor que o mensageiro efetivamente nasce, recebe nutrido e comissionado. Desde a infância, Samuel foi dedicado à Casa do Senhor. Davi “fixou seu coração” em Deus nas cavernas de Adulão e no palácio, em Jerusalém. Josué “jamais se apartou da Tenda da Congregação”. Daniel orou três vezes ao dia nas mansões da Babilônia. Elias morou perto do rio até que foi chamado para “mostrar-se”. Paulo, o apóstolo, buscou a face de Deus por mais de uma década, na Arábia. Todos esses homens, assim como João Batista, consagraram a si mesmos à santidade de coração, à limpeza de mãos, à pureza na fala, à simplicidade de devoção a Deus e à ousadia na proclamação da Sua Palavra para sua geração. Até mesmo o próprio Jesus abraçou a sabedoria do lugar ermo. Após ser batizado por João, em Lucas 3, Ele orou e jejuou pro quarenta dias e foi tentado pelo Diabo. Então, na plenitude do tempo, Jesus “retornou” para a Galileia para começar Seu ministério “no poder do Espírito” (Lucas 4.14). A consagração do profeta no lugar ermo trouxe o confronto até as pessoas que estavam na cidade.

Segundo, o lugar ermo forja o ministério. O mandato do deserto que João abraçou tinha tudo a ver com o clima espiritual árido e falido de Jerusalém. Não era favorável para o ministério do Espírito (como lemos, por exemplo, em Mateus 11.20-24). E eles não eram receptivos à Palavra do Senhor. Para que a nação pudesse ser preparada para a transição que viria até eles, Deus buscou apresentar uma alternativa ao que as pessoas conheciam naquela cultura anêmica de sinagoga daquele tempo. A alternativa era João. Mas isso exigiu de João que ele se preparasse fora do sistema ao qual ele deveria influenciar. Se João tivesse crescido em Jerusalém e fosse engajado com a cultura de ministério daquele tempo, ele não teria a capacidade de desafiar a cidade como fez no Jordão. Um pregador é impotente quando desafia uma cultura à qual ele próprio está secretamente comprometido e pela qual é influenciado. A cultura de sinagoga em Israel naqueles dias de João Batista não poderia conter João. E não poderia servir o mover de Deus que foi liberado quando Jesus saiu do lugar ermo “cheio do poder do Espírito”. O lugar ermo fomentou uma expressão alternativa de ministério que deu luz ao precursor e preparou uma nação para a primeira vinda.

Terceiro, o lugar ermo forjou a mensagem. Os precursores são muito específicos em sua mensagem e em seu respectivo mandato ministerial. Eles honram a diversidade do Corpo. E respeitam profundamente as várias mensagens, métodos e ministérios que emergem entre o povo de Deus. Porém, eles mesmos não abraçam essas mensagens, métodos e mandatos. Não porque eles não sejam válidos, verdadeiros ou frutíferos, mas porque eles não cabem aos precursores. O silêncio relativo do estilo de vida do lugar ermo preserva o mensageiro de abrir a si mesmo para influências de muitas vozes (legítimas e ilegítimas) que não compreendem, concordam ou endossam o ministério da preparação profética. Seria divino, benéfico e frutífero para João seguir nos passos de seu pai e tornar-se um sacerdote, servir no Templo e ministrar em uma sinagoga. E sua presença em Jerusalém teria trazido o fruto redentivo para as vidas de muitos. Mas com seu retiro da cultura espiritual do seu tempo, João foi protegido da escola de pensamento da época. Ao retirar-se da amplitude e do equilíbrio da espiritualidade do tempo, ele foi capaz de aprofundar em temas e realidades que literalmente fizeram dele o que ele era, e forjaram as palavras que ele disse. Precursores não são equilibrados. Não é o que eles são chamados para serem. Quando Deus deseja interromper a trajetória de um povo ou uma nação ao prender sua atenção, Ele não levanta um homem equilibrado que sabe qualificar suas convicções. Ele levanta um tição no lugar ermo com uma mensagem que é simples, repetitiva e específica. Somente uma mensagem desequilibrada pode trazer uma reforma ampla. E som ente um mensageiro desequilibrado pode fomentar uma revolução generalizada. Essa não é uma licença para que verdades sejam inapropriadamente enfatizadas e que outras verdades sejam negligenciadas. É simplesmente a afirmação de que a amplitude e o equilíbrio jamais nunca foram nem nunca serão a descrição de um profeta ou de sua mensagem.

ABRAÇANDO O CHAMADO PARA IR AO LUGAR ERMO NOS ÚLTIMOS DIAS

Da mesma forma que João abraçou o chamado que recebeu de ir para o deserto quando jovem antes da primeira vinda de Cristo, assim também muitos outros abraçarão o mesmo chamado antes do retorno de Jesus. Isso trará uma maior expressão do ministério do precursor na história humana, sobrepondo até mesmo como ministério de João. Nos dias que virão a mensagem, o mandato e o estilo de vida de João serão manifestados entre o povo de Deus nas nações, enquanto nos aproximamos do Dia de Cristo. Portanto, veremos muitos atraídos pela beleza do deserto, como João. Sem esse contexto, a mensagem não amadurecerá, o mandato não será executado e o estilo de vida será abandonado. Esse tipo de contexto é o fruto de um estilo de vida de convicções particulares; convicção será o tema dos próximos artigos.

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Caminho de Jesus \ Só Existe Um Caminho

15 de abril de 2008

Quando Deus sonhou com a sua grande familia de muitos filhos, e nos predestinou a sermos conforme a imagem do seu filho (Rm 8:29), creio que ele traçou uma reta. Dois pontos, partindo de A e chegando em B. Essa reta eu chamo de caminho: O Caminho de Jesus.

Creio que Deus estabeleceu um padrão em Jesus. Fez dele a referência perfeita, a qual se torna o alvo de vida de todo aquele que o recebe como Senhor.

Olhando para este alvo, Jesus em pessoa, eu vejo uma caracteristica especial em toda a experiência dele aqui na terra, a qual é sempre contrária a de Adão, no Éden. Adão caiu quando seu coração se encheu de Independência e Rebelião. Jesus se tornou o filho em quem o Pai tinha prazer, pois em tudo dependeu e obedeceu.

Mas qual foi o caminho que Jesus percorreu durante sua vida, para que chegasse a ser obediente em tudo, até a morte, fato que foi seu destino?

Eu creio que esse caminho está relatado num dos mais lindos textos bíblicos, e que sempre me emociona:

Filipenses 2

5 – De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 – Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
7 – Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8 – E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.

O Sentimento

Nos tornarmos semelhantes a Jesus, conforme a imagem do Filho de Deus, antes de tudo passa por termos em nós o mesmo sentimento que houve nele. O sentimento que houve nele, contrário o que teve Adão que cogitou ser como Deus (Gn 3:5) , foi de se esvaziar.

Se esvaziar pode ser muito relativo, mas pode ser muito específico quando olhamos sinceramente para dentro de nós, e constatamos o quanto falamos que dependemos do Senhor, e na prática tomamos a maioria das nossas decisões sem consulta-lo.

Imagine só a contradição que vivemos, as vezes que o chamamos de Senhor, e não fazemos o que ele manda (Lc 6:46).

Mas Jesus em seu caminho tinha se esvaziado completamente, e nele não havia sentimento de independência. Precisamos nos esvaziar!

A Decisão

Depois de se esvaziar, Jesus assumiu a forma de servo. Jesus veio para servir (Mt 20:28), e nós precisamos seguir seu exemplo, e nos tornarmos servos. Servo é aquele que possuiu um Senhor do qual se intera de fazer todo seu serviço. Ser servo é perder a identidade própria, até mesmo o nome de nascença. Servir é lavar os pés dos irmãos.

Muitas vezes não conseguimos servir e amar os irmãos e ao Senhor, por que ainda não nos esvaziamos. Se esvaziar agora passa a ser imperativo para aquele que quer ser semelhante a Jesus, pois temos que assumir também a forma de servo.

Humilhação

Parte do processo de sermos semelhantes a Jesus passa por sermos humilhados. Eu sei que essa parte do Evangelho do Reino é negligenciada ‘na cara dura’ em muitos meios cristãos, e substituida pela parte da restituição, da exaltação, das promessas e das bençãos, mas pra Jesus não houve atalho em seu caminho. A linha era reta e não havia outra possibilidade.

Lamento concluir que ninguém amadurece enquanto relaxa em meio as águas tranquilas, mas sim no vale de sombras. Essa é a realidade que todo o filho de Deus irá impreterivelmente passar, no seu caminho de ser semelhante a Jesus.

Enquanto tentamos fugir das mazelas da vida, das angustias e das tristezas, não sabemos que são exatamente elas que irão cooperar com o propósito de Deus em nossas vidas, fazendo de nós finalmente menos egoistas, insensíveis, e automaticamente mais parecidos com Jesus.

Ao prórpio Jesus, sendo o Filho Padrão, foi necessário aprender a obediência pelas coisas que sofreu (Hb5:8). Quanto mais nós, que caminhamos tanto tempo distantes e independentes.

O Homem de Dores (Is 53:3) teria discípulos mais coerentes e lúcidos se Ele fosse apresentado como realmente viveu, e o que Ele precisou viver. Se somos chamados a ser conformes a sua imagem, não tenhamos dúvidas nem medo: esse também será nosso caminho.

A Obediência

Aprender a obediência é uma coisa que exige tudo de nós. Jesus aprendeu a obediência. Nós também vamos precisar aprender. Obediência é contraditório a tudo que vivemos hoje, a tudo que nos cerca, por dentro e por fora. Por fora somos incentivamos da dar o grito de independência cada vez mais cedo, e por dentro ficamos super satisfeitos quando conseguimos isso.

Obedecer não é facil. Nós não nos sujeitamos a palavra escrita, que é Jesus em pessoa, que veio nos revelar o Pai. Não nos sujeitamos ao guia Espirito Santo, mesmo ainda que ele habite em nós. Invariavelmente não nos sujeitamos uns aos outros, pois sempre buscamos nossas prioridades, e variamos conforme as pessoas falam o que nos agrada. Precisamos aprender a obediência de uma vez por todas.

Sei que um erro inocente, ou até mesmo uma dificuldade em fazer o certo é facil de se superar, mas a desobediência a uma ordem explícita é muito dura em seu efeito.

Jesus aprendeu a obedecer, mesmo que essa obediência o levasse a morrer. Nós vamos ser provados em nossa obediência, para que nos tornemos obedientes como Jesus foi. Muitas situações são difíceis de mais para nós, e parece que vamos morrer se realmente levarmos a obediência à Cristo até a última consequência, mas é essa a obediência esperada de nós, como filhos de Deus.

Aprendendo o Caminho

Quando cheguei no ministério Casa de Davi, achei que estaria finalmente sendo colocado no lugar de honra que merecia estar, e que num breve periodo de tempo, todos os meus sonhos finalmente se tornariam realidade.

O que aconteceu na verdade foi que o que havia no meu coração havia sido revelado diante de todos, e esse tal conteúdo interno não era nada bom.

Lembro claramente do Mike olhar nos meus olhos na frente de todos e me dizer que eu não sabia o que era ser Filho de Deus. Aquilo foi chocante pra mim, afinal de contas ser filho de Deus até então era a coisa mais trivial da caminhada cristã. O bom mesmo era ser Profeta, Apostolo, etc. Mas aquelas palavras ficaram batento e voltando em todas as paredes da minha cabeça por longos meses. Eu estava num caminho sem volta e nem mesmo sabia. Deus havia começado em minha vida o mesmo processo que ele fez com Israel, com Paulo, com Jesus. O Processo de aprender o Caminho.

Eu não sabia que ser filho de Deus era o máximo na caminhada Cristã, preciso confessar. Como eu deixei perceber, eu estava muito mais interessado em aprender a pregar bem, a dirigir a adoração bem, a ter bons contatos, e outras coisas onde o centro da minha vida era eu mesmo.

Foi então que eu me deparei com o caminho de Jesus. O Caminho do Filho, de ser feito Filho de Deus. Fiquei chocado ao saber que aquele iria ser o meu destino, caso eu realmente quisesse ser como Jesus. Aquele caminho de Filipenses 2.

Fiquei encorajado, porém quebrantado, ao descobrir que Deus conduziu todo o povo de Israel pelo mesmo caminho que muito depois ele iria conduzir Jesus:

Deuteronômio 8

2 – E te lembrarás de todo o CAMINHO, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te HUMILHAR, e te PROVAR, para saber o que estava no teu coração, se GUARDARIAS os seus mandamentos, ou não.

Deus levou Israel por um Caminho, no qual ele seria humilhado e provado. Isso para ver se no final Israel seria obediente.

É exatamente o mesmo processo de Filipenses 2! É exatamente a história que Ele quer escrever nas nossas vidas.

O caminho do Filho de Deus é uma reta que sai de A e chega em B, sem atalhos e sem variáveis. Nós até tentamos criar os pontos C, D, E, mas isso não passa de justiça própria, auto piedade, e mecanismos de defesa, dos quais lançamos mão para ver se morremos menos. O fim das contas é que sempre vamos dar voltas em circulo no deserto, até nos alinharmos, mesmo que isso dure 40 anos.

Paulo, o respeitavel homem responsável por grande parte dos textos neo testamentários teve o seu processo semelhantemente.

Sei que ele antes de iniciar seu ministério entre os gentios, ficou durante 14 anos no seu Deserto pessoal e literal, na Arabia e na Siria (Gl 1:17-21 e 2:1).

Jesus como todos sabem, antes de iniciar seu ministério foi consuzido pelo Espirito ao Deserto, onde esteve por 40 dias.

Todos sabem a simbologia e a aplicação que podemos fazer em nossas vidas quando entramos no assunto “Deserto”, mas quero realmente me deter no que acontece no caminho que o Espirito nos conduz.

Lembro do Mike também dizer, por incontáveis vezes, que ele só conhecia um Caminho. Isso também nunca vou esquecer. Sei que hoje falo distante apenas alguns passos do início deste caminho, mas estou completamente consumido pela revelação de que essa é a proposta de Deus para aqueles que querem ser Filhos dele (Jo 1:12), e de que não existe outra possibilidade.

Os Primeiros discípulos eram conhecidos como “os do Caminho”.

E agora? Vamos Caminhar?


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