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O Homem Incandescente 5: A Consagração

31 de março de 2015

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Nessa parte de nossa série sobre João Batista, vamos explorar a questão da consagração, levando em consideração as primeiras descrições feitas por Jesus sobre o precursor, em Mateus 11.

O QUE VOCÊ SAIU PRA VER NO LUGAR ERMO?

Focaremos nos versículos 7 e 8, onde lemos as palavras de abertura do sermão. “Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: ‘que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento?Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis.’” Mateus 11:7-8

João arrebatou a atenção de uma nação. Sua presença era reconhecida pelos políticos, sacerdotes e prostitutas. Sua mensagem prendia as massas. E seu ministério desafiava todas as esferas da sociedade. Lucas 3 fala sobre o grande impacto de João sobre todos os níveis da sociedade naquela terra. Em Mateus 3.5, lemos que “iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judéia, e de toda a circunvizinhança do Jordão”. As palavras “iam ter” em Mateus 3 espelham a palavra “saístes” de Mateus 11.

João não buscava fama, notoriedade e preeminência. Mas o fogo que havia dentro dele fez com que ele fosse conhecido. Isso provocou uma geração inteira a buscar estar com ele e escutar ao que ele dizia. Ao ver uma multidão se deslocando para o deserto para “regozijarem-se na luz” daquele que “brilhava”, Jesus propõe uma pergunta: “O que os levou ao deserto? O havia em João que provou vocês? Porque vocês ficaram intrigados? O que moveu tanto seus corações, naquele homem? Que tipo de homem era João? O que foi que os atraiu a ele?” Por duas vezes Ele responde à sua pergunta retórica, ao falar sobre a integridade do caráter de João e uma vez, falando sobre a natureza do ministério de João.

As primeiras duas vezes que Jesus faz a pergunta, Ele está vingando a integridade, o caráter e os motivos (o estilo de vida) de João. Na terceira vez, como veremos no próximo artigo, Ele vinga o ministério de João. Uma vez que o impacto de seu ministério era o fruto de seu estilo de vida, nós devemos começar por onde Jesus começou.

Começamos considerando o que motivava João a dizer o que ele dizia e fazer o que fazia. O impacto público de João foi o produto da integridade e da intimidade particular dele. Quem João era no lugar secreto foi o que fez dele a pessoa pública que era. Ele brilhou por fora porque ele queimava por dentro. Portanto, Jesus começa absolvendo o caráter de João.

UM CANIÇO AGITADO PELO VENTO?

Primeiro, Ele pergunta se João era “um caniço agitado pelo vento”. Essa pergunta trata da fortaleza, da determinação e da estabilidade de João. Um caniço pode ser facilmente balançado, arrancado, machucado e quebrado. E o vento é imprevisível, impossível de contornar, indomável e inconsistente.

Ao atar essas duas coisas juntas, Jesus avaliou publicamente a determinação, a dedicação e o compromisso de João diante da pressão, incerteza e oposição. Jesus estava dizendo: “Algum de vocês já viu João hesitar? Já viram ele se render aos ataques da oposição? Ele era um homem que poderia ser agitado? Ele era um homem frágil? Ou ele era firme, forte, ardente, fervoroso e inflexível em suas convicções? Ele era corajoso? Ou ele era tímido e inconsistente?” A resposta inaudível para essa pergunta é “Não”. João era implacável.

Aplicando força total e uma retórica genial, Jesus estava gritando: “Ele não pode ser agitado lá atrás, e ele pode ser agitado agora que está aprisionado pelo homem a quem João publicamente expôs e desafiou! João não é um caniço agitado pelo vento sendo dobrado, machucado, quebrado e agitado pelo vento adverso do escárnio de seus inimigos.”

UM HOMEM VESTIDO EM VESTES LUXUOSAS

Segundo, Ele pergunta se João era um homem “trajado em vestes luxuosas”, que ficava “nas casas dos reis”. Nesse ponto, Jesus está falando sobre as motivações do coração de João. Naqueles dias, um homem vestido de roupas luxuosas era alguém que estava acostumado com o conforto e com as facilidades e era atraído por essas coisas. Um homem desses possuía riquezas, pertencia ao mais alto escalão da sociedade, dava valor às posses, se importava com aparências, se preocupava sobre o que as pessoas iriam pensar dele e investia seus recursos em manter certo status em sua cultura. Um homem que habitava numa casa de reis era alguém facilmente manipulável e coagido.

Ele mesmo não era da realeza, mas gravitava em torno daqueles que tinham parte nos prazeres e nos privilégios da realeza. Esse homem queria estar no lugar certo, na hora certa, fazendo os contatos certos, por meio dos relacionamentos certos para se certificar de que firmaria seu lugar na sociedade. Aqueles que conheciam João sabiam que essa não era a descrição mais precisa dele.

João não usava vestes luxuosas, assim como também não habitava nas casas dos reis. Ele não era abalado pela política. Ele não era leal aos poderosos. Ele não dava valor às posses e pouco se importava em fazer os contatos certos com as pessoas chamadas de elite em qualquer círculo. Ele não podia ser comprado. E não se vendia. Não podia ser manipulado e não podia ser intimidado. Mateus 3 descreve João como um como um tição que habitava o “deserto” usando “uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos”, comendo “gafanhotos e mel silvestre” (Mt. 3.4,5). Esse é um duro contraste com as vestes luxuosas usadas pelos ricos. Mateus 14 registra porque João foi preso.

Ele desafiou Herodes, o Tetrarca, sobre seu casamento com a esposa de seu irmão, dizendo: “Não te é lícito possuí-la”. Esse é um contraste enorme com o homem que vive nos palácios dos reis. Isso porque naquele exato momento, João estava vivendo na masmorra embaixo do palácio do Tetrarca, aguardando sua execução.

Ao fazer essas duas perguntas iniciais, Jesus estava enfatizando o que era de conhecimento público sobre João: seu estilo de vida simples e a integridade de suas motivações em seu ministério. A consagração de que Jesus falou em Mateus 11.7,8 nos dá uma pequena, mas significante noção da vida do Batista: ele era inflexível e inabalável.

UMA GRAÇA QUE FOI ORDENADA

Essa consagração não foi algo passageiro. João tinha uma história de consagração que começou a ser escrita antes mesmo de seu nascimento. Foi uma graça ordenada, profetizada antes mesmo que ele soubesse de sua existência. Antes ainda de sua concepção no vente de sua mãe, ele já havia sido separado e marcado pelo Senhor para andar em santo abandono para executar sua tarefa de “preparar ao Senhor um povo bem disposto”.

Lucas começa seu Evangelho, com a introdução: os pais estéreis e velhos de João, Zacarias e Isabel. Na plenitude do tempo e na providencia de Deus, a responsabilidade de executar os deveres sacerdotais no Templo caiu sobre Zacarias. Ali, no lugar Santo, o anjo Gabriel apareceu para o velho Zacarias. Temeroso e perplexo pelo motivo da visita do anjo, além de estar ansioso pela explanação daquele momento sagrado, Zacarias levantou os olhos para ver o mensageiro celestial, aguardando pela palavra.

Bem ali, parado e cheio de temor pelo encontro inesperado, a voz do santo ser trovejou dentro daquele homem velho, enquanto ele permanecia boquiaberto. Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Lucas 1:13-17

Após acalmar o coração temeroso de Zacarias, dizendo “não temas”, Gabriel começou a profetizar. Ele falou de uma criança que ainda viria a nascer; um profeta consagrado.  

UMA VIDA DIGNA DE IMITAÇÃO

Essas palavras eram o sonho do coração do Pai para a vida de João. E é o sonhos de nosso Pai celestial para muitas vidas nesse exato momento: viver grandiosamente “diante do Senhor”, de maneira consagrada, “cheio do Espírito Santo”, convertendo a muitos e preparando “ao Senhor um povo bem disposto”. Se essas afirmações e palavras agitarem seu coração, pode muito bem ser que Deus tenha ordenado o mesmo tipo de graça que estava sobre João para vir sobre a sua vida. A vida de João é uma daquelas dignas de serem imitadas. Senhor, faça de nós homens e mulheres como João. Que as palavras que disseste sobre a vida de João sejam as palavras que um dia ouviremos serem ditas pelo Senhor as nossas vidas. Nos dê uma visão de sermos grandes aos Seus olhos. Faz de nos um povo disposto no qual Você se deleite em usar para preparar outros para a vinda do Seu Filho.  

Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 4: Forjado no Deserto

10 de março de 2015

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Depois de falar sobre a questão dos discípulos de João e a autenticidade de Seu ministério como o Messias, Jesus se virou para as multidões e falou sobre a autenticidade do ministério de João como profeta. Ele começa Sua mensagem com uma pergunta: “Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: ‘O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?’” (Mateus 11.7).

 

o fato de João ter ministrado no deserto não pode ser desprezado. Nem suas implicações devem escapar de nossa consideração da vida e do ministério de João e daqueles que são chamados ao ministério do precursor em nossa geração. O deserto era o contexto e a realidade de João. É um contexto e uma realidade para os quais também somos chamados.

ONDE OS PROFETAS SÃO FORJADOS E AS NAÇÕES SÃO CONFRONTADAS

O ermo foi a fornalha em que João foi forjado. E era o contexto em que Deus preparou Israel para a geração transicional que estava por vir.

Como Abraão, Moisés, Josué, Davi e Elias que foram todos criados como líderes no ermo, O Senhor chamou João para “se esconder” (I Reis 17.3) no deserto, como um amigo íntimo, com a intenção de que um dia ele fosse chamado para “apresentar-se” (I Reis 18.1) às nações como um profeta incandescente.

A mensagem do ermo é um elemento integrante do ministério do precursor. Era indispensável na preparação de João. E será indispensável para preparar muitos, assim como João, no final dos tempos.

Antes de considerarmos a significância do deserto na formação de João, é importante enfatizar o fato de que o ermo tem mais a ver com convicções e estilo de vida, do que com localização ou com uma vocação. Não há nada sobre o deserto que seja inerente ou intrinsecamente significante ou transformador. O deserto não passa de pó e ar. O que faz do deserto uma parte crucial na história de João (e de muitos outros antes dele) é a visão e os valores que o levaram até lá. Moisés e Josué certamente podem nos lembrar que nem toda experiência no ermo nos transforma, agrada ao Senhor ou intimida o Maligno. Todavia, todos os profetas (inclusive Moisés e Josué) podem nos fazer lembrar que nenhum dos vasos do Senhor evitou viver essa experiência.

O conceito de ermo é entrelaçado com a vida e o ministério de João em todo o registro Bíblico. Está no cerne da história. Em Lucas 1.80, encontramos uma afirmação curta, porém poderosa sobre a natureza da preparação de João com respeito ao deserto. “Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel.” Lucas 1.80

Esse versículo nos fala sobre como ele cresceu, onde ele cresceu, e no que ele se tornou. Ali, na vastidão do deserto árido do Oriente Médio, um jovem homem “crescia, e se robustecia em espírito”. Ele cresceu na revelação de Deus. Ele examinou profundamente a Palavra de Deus. Aquela Palavra prevaleceu sobre ele. Ele abraçou a graça do jejum e da oração. O poder foi aperfeiçoado em sua fraqueza. Ao passo que ele crescia em estatura física, deixou de ser um menino para se tornar um homem que cresceu em autoridade espiritual como um líder, um pregador e um profeta. Seu espírito tornou-se forte. Suas convicções foram seladas. Sua mensagem foi amadurecida. E seu mandato tornou-se mais claro a cada ano que passava. Quando lemos o Evangelho, lemos relatos sobre o nascimento de João e aí não ouvimos mais falar nele até que ele emerge décadas depois, como um adulto, no auge de sua vida.

Um ponto que merece ser enfatizado é o fato de que João permaneceu um ermitão por todos os seus dias. Desde sua juventude “até o dia em que apareceu publicamente”, João ficou sozinho “no ermo”. Até mesmo quando seu ministério teve início, a nação “saiu para” vê-lo. A única razão pela qual ele deixou o deserto foi por que foi encarcerado e executado. Ele estava, por um lado, exilado de sua auto-imposição de exílio quando foi arrastado para dentro da cidade para sofrer seu derradeiro destino.

O entendimento que João tinha de quem ele era e de quê ele foi chamado para fazer estava firmado numa profecia que está em Isaías 40. Quando a liderança religiosa daquele tempo perguntou quem ele era e o que ele fazia, João apontou para eles esse capítulo chave e falou como se visse a si mesmo no texto. Por exemplo, em João capitulo 1 lemos:

E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: ‘Quem és tu?’ Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: ‘Eu não sou o Cristo.’ Ao que lhe perguntaram: ‘Pois que? És tu Elias?’ Respondeu ele: ‘Não sou.’ ‘És tu o profeta?’ E respondeu: ‘Não.’ Disseram-lhe, pois: ‘Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?’ Respondeu ele: ‘Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.’” João 1.19-23

A “voz” emergiu “no deserto”. Não em Jerusalém. Não nas escolas rabínicas. Não nas sinagogas. O som de trovão do profeta ecoava no ermo. O deserto era o lar do precursor. Era o ventre através do qual o líder podia nascer. É o caldeirão em que ele foi forjado. Foi o canteiro em que o mensageiro profético teve suas raízes deixou crescer suas raízes. E é nesse contexto em que Deus determina o confronto a povos e nações.

A MODERNIDADE E O CHAMADO PARA O ERMO

Enquanto o lugar ermo em que João amadureceu fosse um deserto literal (assim como foi com Moisés e Davi), muitos precursores em toda a história foram preparados no lugar ermos, de maneira figurada, nas cortes de tiranos Gentios (Daniel), na presença de dignitários Judeus (Isaías), no meio da sociedade (Jeremias), na Casa do Senhor (Samuel), na Tenda da Congregação (Josué), no Tabernáculo de Davi (filhos de Corá) e nas comunidades proféticas (Eliseu).

Relativamente falando, esses homens experimentaram o mesmo tipo de ministério que João, e viveram o mesmo estilo de vida de João. Mas o contexto em que eles foram preparados como mensageiros foi muito diferente do de João. A “estufa” proverbial em que “cresceram e se robusteciam em espírito” variava de homem para homem, de geração para geração. Da mesma forma acontece nos nossos dias.

Em nossa geração o Senhor está, mais uma vez, separando precursores para viverem no estilo de vida do lugar ermo. Como Jesus em Lucas 4, eles sentem que são “guiado pelo Espírito para o deserto”. Eles se sentem deslocados em muitos lugares, se não for exagero dizer que isso acontece na maioria dos lugares. Não porque eles são anti-sociais (embora alguns possam ser), mas porque eles acham impossível reconciliar o que vêem a sua volta com o peso do Senhor em relação ao futuro. Eles se afligem pela revelação da crise iminente. Eles sentem a dor de estarem conscientes da fraqueza de suas palavras, usadas para trazer à tona a responsabilidade para que os outros percebam a urgência que tem essa hora. O estilo de vida do lugar ermo (jejum, oração, estudo, comunidades, meditação, contemplação, pureza, humildade, ousadia, autenticidade) é o único lugar em que esses indivíduos se sentem em casa.

Embora uma pequena minoria seja chamada para levar o testemunho do retorno de Jesus e também seja chamada para um retiro completo e deliberado da sociedade num local deserto pelo bem da sua preparação, a maioria terá de se preparar e ministrar em comunidades urbanas em meio à população das cidades, nas nações da terra. A afirmação “João estava no deserto” ressoará em seus corações assim com ressoa em mim, não por que nos sentimos chamados para o deserto literal em que João viveu, mas porque nos sentimos chamados ao estilo de vida a que João foi convidado por causa das convicções orientadoras, das visões e dos valores; uma vida de consagração e preparação deliberada à luz do que discernimos no horizonte.

TRÊS MANEIRAS PELAS QUAIS O LUGAR ERMO FOMENTAR OS PRECURSORES

O contexto do lugar ermo está para o profeta e o ministério profético assim como o odre está para o vinho; assim como a fornalha está para o metal; como uma estufa está para plantas. Ele facilita e promove a maturidade. Ele acelera o desenvolvimento. Ele dá condições para o processo de formação.

Há três maneiras que o lugar ermo servir àqueles que são chamados para o ministério do precursor.

 

Primeiro, o lugar ermo forja o homem. É lá, na simplicidade da proximidade com o Senhor que o mensageiro efetivamente nasce, recebe nutrido e comissionado. Desde a infância, Samuel foi dedicado à Casa do Senhor. Davi “fixou seu coração” em Deus nas cavernas de Adulão e no palácio, em Jerusalém. Josué “jamais se apartou da Tenda da Congregação”. Daniel orou três vezes ao dia nas mansões da Babilônia. Elias morou perto do rio até que foi chamado para “mostrar-se”. Paulo, o apóstolo, buscou a face de Deus por mais de uma década, na Arábia. Todos esses homens, assim como João Batista, consagraram a si mesmos à santidade de coração, à limpeza de mãos, à pureza na fala, à simplicidade de devoção a Deus e à ousadia na proclamação da Sua Palavra para sua geração. Até mesmo o próprio Jesus abraçou a sabedoria do lugar ermo. Após ser batizado por João, em Lucas 3, Ele orou e jejuou pro quarenta dias e foi tentado pelo Diabo. Então, na plenitude do tempo, Jesus “retornou” para a Galileia para começar Seu ministério “no poder do Espírito” (Lucas 4.14). A consagração do profeta no lugar ermo trouxe o confronto até as pessoas que estavam na cidade.

Segundo, o lugar ermo forja o ministério. O mandato do deserto que João abraçou tinha tudo a ver com o clima espiritual árido e falido de Jerusalém. Não era favorável para o ministério do Espírito (como lemos, por exemplo, em Mateus 11.20-24). E eles não eram receptivos à Palavra do Senhor. Para que a nação pudesse ser preparada para a transição que viria até eles, Deus buscou apresentar uma alternativa ao que as pessoas conheciam naquela cultura anêmica de sinagoga daquele tempo. A alternativa era João. Mas isso exigiu de João que ele se preparasse fora do sistema ao qual ele deveria influenciar. Se João tivesse crescido em Jerusalém e fosse engajado com a cultura de ministério daquele tempo, ele não teria a capacidade de desafiar a cidade como fez no Jordão. Um pregador é impotente quando desafia uma cultura à qual ele próprio está secretamente comprometido e pela qual é influenciado. A cultura de sinagoga em Israel naqueles dias de João Batista não poderia conter João. E não poderia servir o mover de Deus que foi liberado quando Jesus saiu do lugar ermo “cheio do poder do Espírito”. O lugar ermo fomentou uma expressão alternativa de ministério que deu luz ao precursor e preparou uma nação para a primeira vinda.

Terceiro, o lugar ermo forjou a mensagem. Os precursores são muito específicos em sua mensagem e em seu respectivo mandato ministerial. Eles honram a diversidade do Corpo. E respeitam profundamente as várias mensagens, métodos e ministérios que emergem entre o povo de Deus. Porém, eles mesmos não abraçam essas mensagens, métodos e mandatos. Não porque eles não sejam válidos, verdadeiros ou frutíferos, mas porque eles não cabem aos precursores. O silêncio relativo do estilo de vida do lugar ermo preserva o mensageiro de abrir a si mesmo para influências de muitas vozes (legítimas e ilegítimas) que não compreendem, concordam ou endossam o ministério da preparação profética. Seria divino, benéfico e frutífero para João seguir nos passos de seu pai e tornar-se um sacerdote, servir no Templo e ministrar em uma sinagoga. E sua presença em Jerusalém teria trazido o fruto redentivo para as vidas de muitos. Mas com seu retiro da cultura espiritual do seu tempo, João foi protegido da escola de pensamento da época. Ao retirar-se da amplitude e do equilíbrio da espiritualidade do tempo, ele foi capaz de aprofundar em temas e realidades que literalmente fizeram dele o que ele era, e forjaram as palavras que ele disse. Precursores não são equilibrados. Não é o que eles são chamados para serem. Quando Deus deseja interromper a trajetória de um povo ou uma nação ao prender sua atenção, Ele não levanta um homem equilibrado que sabe qualificar suas convicções. Ele levanta um tição no lugar ermo com uma mensagem que é simples, repetitiva e específica. Somente uma mensagem desequilibrada pode trazer uma reforma ampla. E som ente um mensageiro desequilibrado pode fomentar uma revolução generalizada. Essa não é uma licença para que verdades sejam inapropriadamente enfatizadas e que outras verdades sejam negligenciadas. É simplesmente a afirmação de que a amplitude e o equilíbrio jamais nunca foram nem nunca serão a descrição de um profeta ou de sua mensagem.

ABRAÇANDO O CHAMADO PARA IR AO LUGAR ERMO NOS ÚLTIMOS DIAS

Da mesma forma que João abraçou o chamado que recebeu de ir para o deserto quando jovem antes da primeira vinda de Cristo, assim também muitos outros abraçarão o mesmo chamado antes do retorno de Jesus. Isso trará uma maior expressão do ministério do precursor na história humana, sobrepondo até mesmo como ministério de João. Nos dias que virão a mensagem, o mandato e o estilo de vida de João serão manifestados entre o povo de Deus nas nações, enquanto nos aproximamos do Dia de Cristo. Portanto, veremos muitos atraídos pela beleza do deserto, como João. Sem esse contexto, a mensagem não amadurecerá, o mandato não será executado e o estilo de vida será abandonado. Esse tipo de contexto é o fruto de um estilo de vida de convicções particulares; convicção será o tema dos próximos artigos.

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 3: A Vingança do Profeta e o Julgamento de uma Nação

23 de fevereiro de 2015

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Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João…” Mateus 11.7

Mateus 11 registra os dias finais da vida de João Batista. Depois de ele ter sido preso por Herodes, Jesus enxergou a necessidade de “falar à multidão a respeito” de seu primo encarcerado. Pouco depois de Jesus ter pregado sua mensagem, João foi barbaramente executado.

Quando a integridade e veracidade do testemunho de João foi posto em questão com a evaporação de seu ministério e sua associação com Jesus (a quem ele declarava ser “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”), seu Primo controverso veio em sua defesa para esclarecer seu testemunho público diante da morte de João. Quando o famoso profeta estava “diminuindo” (João 3.30) de sua importância, influência e fama, enquanto estava sendo preparada sua execução e ao passo que a controvérsia e a especulação sobre a “candeia que queimava e irradiava luz” (João 5.35) se espalhavam pela Terra, Jesus ergueu Sua voz. Em Mateus 11 está registrado o que foi dito por Jesus.

Esse capítulo é o mais importante dos Evangelhos em relação à vida do Batista. E também é o capítulo mais importante da Bíblia sobre o ministério do precursor.

A DUPLA MENSAGEM DE MATEUS 11

O sermão de Jesus tem duas ênfases primárias: a sabedoria de João e a tolice da nação de Israel; a grandeza do mensageiro e a indiferença daqueles que o ouviam.

Em Mateus 11, vemos Jesus vingando João e confrontando a nação. Ele afirma a verdade e o poder da pregação de João e desafia a resistência e descrença de Israel. É uma mensagem pesada direcionada para uma geração no meio de uma grande transição, em uma conjuntura crucial. Ela gira em torno da necessidade da direção profética e as consequências de não atentar para ela, quando é dada.

Estudamos Mateus 11 para perceber o que em João agradava a Jesus e o que Jesus lamentava naqueles que davam ouvidos a ele. Analisamos esses versos para aprender o que o Senhor celebrava em João e porque o Senhor repreendia a nação naquela hora urgente.

Mateus 11 também está impregnado com implicações escatológicas. Com o precedente histórico de que João era uma expressão do ministério do precursor para preparar o povo para Deus e para a primeira vinda de Jesus, podemos dizer com confiança que seu mandato, sua mensagem e seu estilo de vida são convites para aqueles que vivem na(s) geração/gerações que precedem a segunda vinda de Jesus. Os grandes questionamentos sobre a fé que surgiram nos dias de João surgirão novamente para confrontar a(s) geração/gerações antes do retorno do Senhor. Mateus 11 não somente nos ensina sobre o passado, como também nos ensina sobre o presente e o futuro.

CULTIVANDO UMA VISÃO PARA IMITAR O MAIOR HOMEM QUE JÁ NASCEU

Por todo esse capítulo viciante, Jesus exalta a vida e o ministério de João como um exemplo de consagração e dedicação a Deus com gerações transicionais. Ele chamou João de homem corajoso (versículo 7), um homem intransigente (versículo 8), um homem profético (versículos 9,10) e um homem violentamente dedicado (versículo 11). Jesus vai tão longe, que o chama de “o maior homem que já nasceu de mulher” (versículo 12) antes de repreender o povo e as cidades específicas que ouviram a pregação de João, mas falharam em responder a ela (versículos 16-24). É essencial que obtenhamos uma visão de imitação de João, ao passo que vamos respondendo à mesma forma de graça que foi dada a ele.

TRÊS APLICAÇÕES DE MATEUS 11

Enquanto exploramos esse capítulo maravilhoso, verso a verso, eu quero enfatizar três aplicações primárias do capítulo.

Primeira: Ele nos fala sobre o tipo de devoção que move o coração de Deus e prende a atenção de uma nação. João era um retrato de dedicação, consagração e santidade que honram a Deus. Jesus o exaltou, usando-o como medida autêntica da intensidade espiritual quando dois opostos extremos de legalidade e preguiça espiritual é que estavam disponíveis na época. João viveu uma vida de “violência” espiritual (Mateus 11.12). Esse estilo de vida agressivo desafia os preguiçosos e os irresponsáveis enquanto que, ao mesmo tempo, confunde os legalistas e os religiosos. Em nossos dias, quando percebemos como a espiritualidade superficial e a religião morta prevalecem, a teologia da “violência” espiritual se faz essencial.

Segunda: ele nos fala do valor e da importância do ministério do precursor. Mateus 11 é essencialmente um sermão sobre a natureza crítica do testemunho de João a Israel antes da vinda de Jesus. Jesus afirma João com um precursor e exalta a significância do ministério para o qual foi chamado. Quando abordamos o retorno de Jesus, a dimensão do precursor de Mateus 11 irá servir imensamente ao Corpo de Cristo.

E terceira: ele nos fala como devemos corresponder, em gerações transicionais, quando o Senhor estabelece o ministério do precursor. Em Mateus 11, ouvimos Jesus repreendendo as multidões que ouviram João pregar e persistiram na descrença ate mesmo diante dos milagres de Jesus, e somos confrontados com essa questão da responsabilidade em momentos de transição histórica. Esse sermão descreve o estilo de vida que Jesus considera digno do chamado para o qual fomos chamados e a preparação para a hora urgente em que vivemos. Ao passo que essa foi uma defesa pública da integridade de João, também foi uma repreensão pública à indiferença da nação. Enquanto nos aproximamos do retorno do Senhor, essa mensagem de responsabilidade e reação irão edificar muito a Igreja.

O CONTEXTO DO SERMÃO DE JESUS EM MATEUS 11

O contexto do sermão de Jesus em Mateus 11 é descrito nos versos 2 a 6.

“João, ao ouvir na prisão o que Cristo estava fazendo, enviou seus discípulos para lhe perguntarem: ‘És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?’ Jesus respondeu: ‘Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa.’”

Mesmo sendo frequentemente apresentado como o capítulo onde João Batista duvida e descrê por um período sob pressão, há inúmeras razoes pelas quais eu não creio que esse seja o caso. João sabia que Seu ministério estava completo (João 3.25-30). Ele compreendeu que Jesus morreria em breve, como “Cordeiro” sacrificial (João 1.29). Ele sabia que o tempo havia chegado, em que sua influência “diminuiria” para que a influência do Senhor “crescesse” (João 3.30).

O fato de João ter enviado seus discípulos a Jesus para perguntarem se Ele era o Messias foi mais uma afirmação de descrença dos discípulos do que João. João sabia que ele iria morrer em breve, então enviou seus discípulos a Jesus para que eles soubessem que Ele era o Messias.

Em seu comentário sobre o Evangelho de Mateus, J. C. Ryle (falecido em 1900) escreveu:

“Essa pergunta não surgiu da dúvida ou descrença da parte de João. Fazemos injustiça a esse santo homem se interpretamos dessa forma. Ela foi feita para o benefício de seus discípulos. Intencionava dar a eles uma oportunidade de ouvir lábios do próprio Jesus a evidência de Sua divina missão. Sem dúvida, João Batista sentiu que seu próprio ministério estava terminado. Algo dentro dele disse que ele jamais sairia da prisão de Herodes, mas que ele certamente morreria. Ele se lembrou dos ciúmes ignorantes que seus discípulos demonstraram em relação aos discípulos de Cristo. Ele fez o que deveria ter feito para dissipar esses ciúmes para sempre: enviou seus discípulos para ‘ouvir e ver’ por eles mesmos.

“Havia alguns, sem dúvida, que eram dispostos a pensar levianamente sobre João Batista, em parte o fazer por sua ignorância natural quanto ao ministério dele, em parte o fazem por entender mal a pergunta que ele pediu que fosse feita. Nosso Senhor Jesus Cristo cala tais maledicentes pela declaração que faz aqui. Ele diz a eles que não suponham que João fosse um homem temeroso, vacilante, instável como um ‘caniço agitado pelo vento’. Se pensavam assim, estavam muito enganados. Ele era um testemunho inflexível e destemido da verdade. Ele diz que não suponham que João fosse um homem desse mundo, em seu coração: fascinado pelas cortes dos reis e da vida de prazeres. Se pensassem assim, estavam enormemente equivocados. Ele era um pregador altruísta do arrependimento, que arriscaria provocar a ira de um rei ao invés de aprovar seus pecados” (de seu Comentário sobre o Evangelho de Mateus).

Depois que Jesus se auto-declarou o Messias, ele terminou com o que parecia (a princípio) ser uma exortação estranha e inapropriada para o local, dizendo “feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa.” Imagino que os discípulos de João tenham olhando para Ele, confusos, quando Jesus falou de sinais e maravilhas e ofensa na mesma frase. Somente após a decapitação de João e da crucificação de Jesus que essa afirmativa faria sentido para eles. Jesus sabia que Seu Pai não iria livrar João de ser morto. E Jesus sabia que Ele próprio nasceu para morrer. Os discípulos de João não sabiam dessas coisas. E, diante de milagres e maravilhas, o pensamento da morte trágica de seus líderes seria ofensivo. Portanto, Jesus estava implorando a eles que resistissem à ofensa quando as coisas não saíssem conforme o esperado.

A principal razão pela qual eu não creio que Mateus 11.2-6 fale sobre a hesitação de João sobre a questão do Senhorio de Jesus é porque imediatamente depois de se dirigir aos discípulos de João, falando sobre Ele próprio, Jesus se dirige às multidões falando sobre João. Uma abordagem em que Jesus declara que João era um homem imutável, inabalável com convicções audaciosas. Se João tropeçava em descrença, ou Jesus estava ignorante da situação ou não estava sendo honesto sobre o que sabia. Uma vingança da fé de João quando a fé de João estava “firmada na rocha” teria sido dissimulada e desonesta.

Algumas pessoas sugerem que João estava debatendo-se em dúvida porque a compreensão teológica de João da vinda do Messias estava associada com os eventos apocalípticos, o que o teria desapontado, já que Jesus parecia negligenciá-los. Dizem que João estava esperando por um Rei e foi deixado numa crise de fé quando Jesus se revelou como um servo. Embora eu não descarte a ideia de que João lutou para reconciliar as dimensões escatológicas do ministério do Messias com o ministério de Jesus em seus dias, o fato que João efetivamente iniciou o ministério de Jesus ao declarar publicamente que Ele era o “Cordeiro que tira o pecado do mundo”, eu creio que é seguro afirmar que João não estava ignorante do sofrimento que Jesus em breve anunciaria.

Creio que João morreu com um coração ardente e fervoroso de amor pelo Senhor. Enviar seus discípulos a Jesus foi sua missão final como precursor, dissolvendo seu ministério e levando seus amigos a Jesus.

UM RESUMO EM 10 TÓPICOS DE MATEUS 11

  1. O Aprisionamento (versículos 1-6)
  2. O Deserto (versículos 7-10)
  3. A Consagração (versículos 7,8)
  4. O Profeta (versículos 9,10)
  5. A Grandeza (versículo 11)
  6. A Violência (versículos12-15)
  7. A Mensagem (versículos 16,17)
  8. A Reprovação (versículos 18,19)
  9. As Consequências (versículos 20-24)
  10. O Descanso (versículos 25-30)

Tendo falado da questão do aprisionamento de João, acima, começaremos nosso estudo no versículo 7 focando em “O Deserto”.

 

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 2: As Dobradiças da História

10 de fevereiro de 2015

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Incandescente:

  1. Branco, brilhante ou luminoso com calor intenso.
  2. De brancura surpreendente, radiante ou claro.
  3. Marcado pelo brilho, especialmente, de expressão.
  4. Caracterizado pelo zelo intenso: ardente.

Ele era a lâmpada que ardia e brilhava,

e vós quisestes alegrar-vos

por algum tempo com a sua luz.

João 5.35

A história da humanidade é uma sucessão de gerações transicionais. Essas junções cruciais, esses momentos únicos e sem precedentes do tempo, essas grandes e terríveis estações da história são como dobradiças, movimentadas pelas portas da redenção e do julgamento.

Desde a criação do cosmos até o exílio do Jardim; desde o chamado feito a Abraão até a exaltação de José; desde o dilúvio ao Êxodo; desde a seca nos dias de Elias até a deportação dos dias de Jeremias; e desde os dias de Ana, Simeão e João Batista até os dias de Pedro, Filipe e Paulo, olhamos para trás com admiração e temor no olhar quando vislumbramos a liderança única e extraordinária do Senhor em momentos cruciais da história. É nessas encruzilhadas que Ele estende seu santo braço forte para cumprir Seus planos e propósitos.

O MINISTÉRIO DO PRECURSOR

Como um precursor, Noé profetizou e preparou sua geração para a chuva; Moises, as pragas; Isaias, as invasões; Jeremias, as deportações. Os precursores são “vozes” que preparam “o caminho do Senhor” (Isaías 40.3-5). E são “mensageiros” (Mateus 11.10) que “preparam as pessoas” para que elas estejam preparadas “para o Senhor” (Lucas 1.17). Deus não faz nada “sem ter revelado seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3.6,7). Na verdade, é inegável que nunca houve uma geração transicional sem que Deus não tenha dado uma testemunha profética de antemão, com o fim de prepará-los. Os ministérios de homens como Samuel, Jonas e Ágabo declaram que Deus é indescritivelmente gentil e que considera uma injustiça agir de maneira inesperada, sem antes preparar aqueles a quem Ele tanto ama.

O ministério do precursor é um ministério de proclamação. Os precursores anunciam realidades iminentes antes que elas sejam manifestas. Noé anunciou o dilúvio. Moisés e Aarão anunciaram o êxodo. Elias anunciou a seca e a chuva. Jeremias, Joel e Isaías anunciaram a invasão, o exílio e a deportação. Zacarias, Ageu, Neemias e Esdras anunciaram o retorno e a restauração. Ana, Simeão e João Batista anunciaram a vinda do Senhor dos Judeus. E os apóstolos anunciaram o Evangelho do Reino às nações. Esses são todos os exemplos do ministério do precursor.

A SEGUNDA VINDA DE JESUS

Da mesma forma que Deus julgou necessário levantar tais mensageiros nas gerações dos antigos a fim de prepará-los para o que viria a acontecer nos seus dias, Deus julga necessário levantar esse mesmo ministério novamente ao fim dos tempos para preparar a Terra para o retorno de Seu Filho.

O Pai não enviou Seu Filho da primeira vez sem precursores em Israel, preparando o caminho. E não O enviará uma segunda vez sem precursores nas nações para preparar o caminho.

Enquanto o primeiro advento de Jesus foi, de longe, o evento mais substancial da história da humanidade, a maior parte da população não tinha ideia de que estava acontecendo. Em contraste, quanto Ele retornar, toda tribo, língua e nação saberá que o estará acontecendo. Testemunharão com seus próprios olhos; em todo o terror e esplendor daqueles dias sublimes e impressionantes. Dias virão em que os homens pedirão às montanhas que caiam sobre eles, para que se escondam da ira do Cordeiro (Apocalipse 6). Pode esperar: esses dias não virão sem que haja um testemunho de preparação.

Com uma magnitude inigualável do terror e da glória do Dia do Senhor em mente, nos certifiquemos, com ardente confiança, de que Deus irá separar os precursores para preparar as nações. Ainda mais: não hesitemos em dizer com igual confiança que a geração final dessa era presente irá testemunhar a emergência de um ministério do precursor como nenhuma outra geração na história, pela simples razão de que serão necessários. Creio que estamos no início desta geração, agora mesmo.

As “dores de parto” (Mateus 24.4-8) e o árduo trabalho da “grande tribulação” (Mateus 24.15-31) serão precedidos pelo som estridente de um testemunho profético que irá preparar a Igreja de maneira adequada e dará suficientes avisos às nações. Tratar a ideia da necessidade do ministério do precursor com resistência e indiferença sugere que Deus não está preocupado o bastante ou que Ele não é competente o bastante para guiar e preparar Seu povo para a maior transição que a Terra já viu acontecer.

Nos dias porvir, veremos uma transformação necessária da natureza do testemunho da Igreja para as nações. A maioria das pregações e ensinos que ouvimos no momento é histórica ou contemporânea, por natureza. Falamos muito do Messias que veio para morrer e conquistar a morte como um sacrifício em paga do pecado (como deveríamos ter, nós mesmos, sofrido). Falamos muito sobre as implicações dessa morte e ressurreição por nossas vidas agora (como deveríamos fazer). E falamos muito pouco sobre o Messias que virá novamente realizar tudo que está em Seu coração (o que é uma omissão custosa). A Igreja primitiva proclamou a cruz e a coroa. Eles eram um povo que apontava uma mão para trás, para o Gólgota e para o túmulo vazio, e usavam a outra mão para apontar para frente, para a vinda do Reino e dos dias tumultuosos que a precederiam. Eles declaravam o que havia acontecido. E eles declaravam o que viria a acontecer. Até que recuperemos esse futurismo apostólico, até que possamos dizer como Paulo que “declaramos todo o conselho de Deus” (Atos 20.27), continuaremos a viver sob as intenções de Deus para nossa geração, quer vivamos para ver os céus se abrirem ou não.

…assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” Hebreus 9.28

JOÃO, O BATISTA COMO O PRECURSOR MAIS DISTINTO

Essa série de artigos é uma exploração desse ministério essencial por meio de um estudo do caráter de João Batista, o Homem Incandescente.

Umas das razoes principais pelas quais valorizamos a vida de João e seu ensinamento é porque ele é o primeiro modelo de um precursor encarnando a mensagem, o mandato e o estilo de vida como nenhum outro homem na história. Sua vida provocativa e seu ministério breve, porém poderoso é a imagem mais clara e mais trabalhada do chamado de um precursor nas Escrituras.

Ele foi chamado para proclamar a vinda de Jesus a fim de preparar “o caminho” ao “preparar um povo” para a primeira vinda de Jesus. Ele foi um adiantamento de uma graça particularmente poderosa que seria dada a muitos ao final da era, que prepararão as nações para a segunda vinda de Jesus, assim com fez João da primeira vez. Podemos estar certos de que a graça e o poder dados a João são, em si mesmos, uma promessa de graça e poder futuros, para uma hora similarmente transicional da história.

Cada parte desta série é uma consideração do chamado de João como “mensageiro” “enviado” “antes” do Senhor para “preparar o caminho” do Senhor. Minha expectativa e minha oração é que muitos entrem em contato com essas realidades e encontrem seus próprios chamados e mandatos nas Escrituras, ao passo que vão aprendendo sobre João e vão se identificando com sua vida e seu ministério. Meu desejo mais intenso é que muitos possam crescer em confiança de são chamados pelo Senhor ao mesmo mandato de ministério para o qual João serviu de exemplo distinto.

Da mesma maneira que Deus levantou João antes da primeira vinda de Jesus, assim também Deus irá levantar muitos Joãos antes da segunda vinda. João preparou uma nação. Os precursores da geração final irão preparar as nações. Portanto, é minha esperança que aqueles que lerem esses artigos veja claramente e sem dúvidas que o ministério do precursor de forma alguma é exclusivo de João. Em todas as gerações transicionais, por toda a história, temos visto a emergência desse trabalho essencial.

Como Noé, Isaías, Jeremias e João, os precursores se preparam para que possam preparar outros para a transição histórica que irá ocorrer no curso de suas vidas. Observando a forma como João se preparou e como ele preparou os outros irá nos ajudar a compreender como devemos pôr nossos corações nesses dias maravilhosos, enquanto nos aproximamos do retorno do Senhor e do fechamento dessa Era.

Jesus declarou a continuidade do ministério do precursor quando disse: “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem.
(Mateus 24.37). E eu me aproprio do que Ele disse para declarar que: “Como foi nos dias de João Batista, assim também será na vinda do Filho do homem.

Aquele que tem ouvidos, ouça!” Mateus 11.15

Continua
Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon

O Homem Incandescente 1: Uma Vida Digna de Imitação

2 de fevereiro de 2015

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O Homem Incandescente 1: Uma Vida Digna de Imitação

Pouco tempo depois que me converti, recebi uma pilha de sermões de um pregador inglês chamado Leonard Ravenhill (1907-1994). Uma das mensagens era um esboço da vida e do ministério de João Batista, intitulado “O Homem Incandescente”. O Senhor usou a mensagem para agitar o que, agora, se tornou mais de uma década de considerações sobre o que a Palavra diz sobre o maior homem nascido de mulher (Mateus 11.11). A consideração de sua vida trouxe tanta definição à minha vida, ao passo que o Senhor continuou enfatizando a permanente relevância da mensagem e mandato do ministério do precursor, como revelado na Palavra.

Nas semanas e meses seguintes, escreverei sobre o Homem Incandescente e quero te convidar a se juntar a mim nas considerações renovadas de sua vida e seu legado, não com o propósito educacional, mas de imitação.

INTRODUÇÃO: O MAIOR HOMEM JÁ NASCIDO DE MULHER

O narrativa do Evangelho inicia com dois primos, com uma diferença de seis meses de idade. Eles são os maiores homens que já estiveram nessa Terra: Jesus de Nazaré e João, o Batista.

Esta série de artigos foca no mais velho e em seu ministério de exaltar seu Primo mais novo, o Eterno “Filho do Altíssimo”.

Enquanto Jesus merece eternamente mais atenção e infinitamente mais afeição que João, uma meditação no ministério e na mensagem do Batista de forma alguma intenta roubar glória do Mais Preeminente. Ao invés disso, um estudo no Nazireado (se for bem feito) tem o potencial de agitar dentro de nós um amor ainda mais fervoroso pelo Nazireu cujas sandálias João se declarou indigno “de desatar a correia” (João 1.27).

Nas palavras de um apóstolo, João “não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (João 1.8). Se iniciarmos uma meditação sobre a vida daquele que “era como a lâmpada que ardia e brilhava” (João 5.35) com isso em mente, seremos ricamente edificados.

João não é o Cristo. Portanto, ele não requer a lealdade ou adoração que Jesus requer. Mas seria sábio da nossa parte escutar seu depoimento e considerar seu testemunho. Especialmente nessa hora de aproximação do dia da volta de Jesus e da consumação desse Era presente.

Que a mensagem desta série de artigos seja fortalecedora daqueles que também foram chamados para esse ministério crucial, neste momento crucial da história.

 

Continua…

 

Texto original de Dalton Thomas

Traduzido por Christie Vieira Zon


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