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Jesus, O Mestre – Peter Leithart

29 de junho de 2016

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Se não o único, Reenvisioning Theological Education [Revendo a Educação Teológica, em tradução livre] de Robert Banks, é uma raridade em meio aos estudos sobre educação teológica, pela quantidade de atenção dedicada aos modelos bíblicos de educação e formação. Ao rever a literatura recente com o objetivo de repensar a educação dos seminários, ele observa com frequência que pouca atenção é dada as Escrituras. A Bíblia raramente é tratada como fonte normativa para a formação teológica. Banks sabe que não podemos fazer uma transferência direta dos métodos e modelos bíblicos utilizados por Paulo para os dias de hoje, mas ele argumenta que temos que contar com eles se quisermos chegar a uma visão da educação teológica a partir das Escrituras. Banks não reivindica que “voltemos a Bíblia”. Em vez disso, ainda não estamos envolvidos com ela. Banks exorta-nos a alcançá-la primeiro para que possamos “avançar com a Bíblia” (81)

Banks dedica um capítulo à maneira como Jesus selecionava, ensinava e preparava discípulos para o ministério. Ele compara o modo de treinamento de Jesus ao dos rabinos do primeiro século: “ao contrário dessas figuras [Jesus] não tinha local fixo ou salário… e não citava regularmente a autoridade ou procurava a comunhão com outros mestres… Ele também não encorajava seus discípulos a buscarem outros mestres para que pudessem receber uma educação mais completa. Ele não se apresentava como um intérprete da Lei, mas como a própria pessoa por quem a Lei é interpretada e para quem ela aponta.” (108).

A relação de Jesus com seus discípulos difere das relações mestre-aluno. Os discípulos não eram primeiramente “estudantes”: “A palavra manthanein aparece apenas uma vez, em estreita relação com ensino e, ainda assim, se refere às parábolas.” Eles também não eram servos: “Jesus era um mestre diferente de seus contemporâneos. Se a terminologia “amizade” em vez de servidão remonta a Jesus ou não [acredito que sim. PJL] ela justamente transmite o espírito de sua associação com seus seguidores… Embora não devamos entender isso em termos igualitários contemporâneos, João indica que envolvia mutualidade e amor.” Banks cita o comentário de CG Montefiore, que seguir a Jesus envolvia mais servir do que estudar, serviço aos outros e não a Jesus. Montefiore diz que foi uma “coisa nova” que “não se encaixava” com a abordagem rabínica usual (108-9).

 
Banks também aponta para a “formação holística e comunitária que os discípulos receberam enquanto acompanhavam Jesus. Isso ocorreu, em parte, através de instrução verbal como o Sermão da Montanha e as parábolas…, Em parte através de ações milagrosas de cura e expulsão de demônios, exercer o perdão, bem como sofrer perseguição, e em parte através do comer, beber, e orar juntos.” O ponto central de tudo isso “era preparar e treinar os Doze.” Citando William Lunny, Banks conclui que “Jesus estabeleceu uma série de “sessões de treinamento” e “experiências de imersão” para eles… não era uma preparação dos Doze para missões que estava em primeiro lugar em sua mente, mas o envolvimento dos Doze na missão” (110-11).

Peter Leithart

Tradução & Revisão Base Publishing Team

Arquivo Original

 

 

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